O juiz espanhol José Luis Calama, da Audiência Nacional, ordenou esta sexta-feira que Manuel Miranda Velasco, conhecido traficante de droga que estava fugido à Justiça espanhola há 15 anos, seja enviado para a prisão. A decisão foi tomada dois dias depois de Velasco ter sido detido num hotel em Getafe, Madrid.

Velasco, conhecido traficante com ligações a clãs da droga galegos como os de Laureano Oubiña e Sito Miñaco, tinha sido condenado a 14 anos de prisão e dez milhões de euros de multa pelo Supremo Tribunal espanhol, em 2007. Segundo a Cadena Ser, à altura deu-se como provada a sua pertença a uma organização criminosa que transportou mais de dois mil quilos de cocaína até à Galiza.

Desde então, Velasco — antigo funcionário de uma prisão espanhola que se dedicava ao tráfico de droga desde 2001 — tem estado fugido às autoridades. Mas como conseguiu passar despercebido, sobretudo tendo em conta que vivia em Málaga e que, ao longo destes 15 anos, se deslocou com regularidade a países como a Colômbia e Marrocos? “Modificou e alterou as suas impressões digitais a tal ponto que se tornou impossível o seu reconhecimento, através de micro-implantes de pele, bem como de queimaduras e cortes”, explicaram fontes policiais ao El País. Para além disso, recorreu ainda a implantes capilares.

Como se as modificações corporais não bastassem, Velasco, de 60 anos, conseguiu ainda utilizar identidades falsas: segundo o La Razón, tinha documentação em nome de um cidadão peruano e também papéis que o identificavam como croata. Foi com base nisso que, quando foi detido na passada quarta-feira, argumentou repetidamente ser Bruno Michi Travia, um cidadão peruano de 59 anos, como conta o La Voz de Galicia.

As autoridades já seguiam o paradeiro do traficante há algum tempo, mas só atuaram quando tiverem confirmação científica da identidade do criminoso, através das impressões digitais mutiladas. “Tínhamos de atuar, era uma pessoa muito rápida e, se detetasse algo estranho, desapareceria”, confirmou um dos investigadores ao jornal galego.