O autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, apresentou na quinta-feira o plano da oposição para combater a crise económica, social e política no país, no qual se contempla a criação de um Governo de transição.

O programa, intitulado de ‘Plano País’, foi apresentado no auditório da Escola de Ciências Económicas e Sociais da Universidade Central da Venezuela, onde explicou que “todo o plano para resgatar a Venezuela passa por a libertar das forças que a oprimem”.

Depois da libertação é imperativo recuperar o Estado venezuelano e colocá-lo ao serviço do povo, dar poder aos venezuelanos para que libertem as suas forças criativas e produtivas, e reinserir o país” no universo “das nações livres do mundo”, explicou.

Guaidó sublinhou o programa tem como prioridade “resgatar o direito e a democracia”, assim como “restabelecer a sua capacidade para fornecer bens e serviços públicos”, bem como de “criar mecanismos para prestação de contas que possam ser monitorizados pelos cidadãos”.

Por outro lado, procura “estabelecer e cumprir regras que respeitem os direitos das pessoas, promovam o empreendimento, a competência e sirvam como complementos das iniciativas próprias da sociedade”.

“Restabelecer os mecanismos do mercado e as liberdades económicas (…) eliminar os sistemas de controlos que afogam a produção nacional, recriar um sistema judicial independente que garanta a propriedade privada, o Estado de direito e proteja os cidadãos” são outros dos objetivos.

Com o plano pretende-se também “avançar com uma política social solidária”, recuperar a soberania e acabar com “a influência de grupos criminosos”, assim como “acelerar a reconstrução da Venezuela e contar com a ajuda da comunidade internacional para atender, com caráter de urgência, à emergência humanitária complexa que afeta o país”.

No texto do “Plano País”, lê-se que as grandes prioridades passam por estabilizar a economia, reativar a indústria petrolífera e criar uma nova lei de hidrocarbonetos, bem como assegurar o acesso a serviços públicos de qualidade, garantir a segurança cidadã integral, gerar confiança e segurança jurídica”.

O mesmo texto estabelece como metas, entre outras, “aceder à banca multilateral para solicitar financiamento e ajuda económica internacional, (…) recapitalizar a banca e reativar o mercado de capitais, promover os investimentos internacionais, dar abertura ao investimento privado”.

Do programa faz parte garantir o abastecimento e o acesso a bens e serviços de primeira necessidade, a atenção especializada nos setores da saúde, educação e nutrição, promover empregos de qualidade e proteger o ingresso familiar.

Na área da segurança, o “Plano País” prevê igualmente a desmilitarização, despolitização e descentralização dos organismos de segurança, a reestruturação das instituições e da atuação dos organismos policiais.

Teste às forças armadas da Venezuela

O líder da oposição venezuelana disse que vai desafiar a recusa do Governo de receber ajuda humanitária ao enviar grandes quantidades de medicamentos para o país com a ajuda de nações vizinhas, num teste às forças armadas.

Em entrevista à agência de notícias Associated Press, Juan Guaidó defendeu que a medida será um “novo teste” para as forças armadas da Venezuela, cujas altas patentes ficaram do lado do Presidente socialista Nicolas Maduro desde que os protestos contra o seu Governo começaram na semana passada.

“Dentro de algumas semanas, eles terão de escolher se deixam a ajuda necessária a entrar no país, ou se ficam do lado de Nicolás Maduro”, explicou Guaidó, que recentemente ofereceu uma amnistia aos militares, em mais um esforço para os incentivar a desertar da administração Maduro.

Guaidó explicou que a ajuda para a Venezuela incluirá medicamentos que podem salvar vidas, que são escassos na Venezuela, e serão transportados por veículos que vão chegar a vários pontos de fronteira, depois de serem transportados para “portos amigáveis” localizados em países vizinhos.

“Não estamos apenas a receber ajuda dos Estados Unidos”, observou Guaidó. “Nos próximos dias anunciaremos uma coligação global para enviar ajuda à Venezuela”, anunciou.

Guaidó, de 35 anos, declarou-se Presidente interino da Venezuela na semana passada, recebendo o apoio, entre outros países, dos Estados Unidos, Canadá e da maioria dos países sul-americanos, bem como da União Europeia.

No início desta semana, os Estados Unidos anunciaram sanções que podem custar à administração de Maduro até dez mil milhões de euros no próximo ano. A reivindicação de Guaidó à presidência venezuelana foi apoiada por protestos durante os quais pelo menos 35 pessoas foram mortas e mais de 900 foram detidas, segundo organizações não-governamentais de defesa de direitos humanos.

Guaido disse que ainda vê a realização de eleições transparentes como a melhor saída para a crise política da Venezuela, mas defendeu que Maduro não as concederá facilmente, a menos que seja pressionado a fazê-lo por meio de sanções económicas, protestos de rua e dos militares. “Temos que corroer os pilares que sustentam esta ditadura”, sublinhou.