Segundo o Der Spiegel e a Wardsauto, o CEO da Porsche informou que a marca notificou o Ministério dos Transportes alemão que foram fornecidos dados falsos relativos aos 911, no capítulo dos consumos e, por tabela, das emissões de CO2. Oliver Blume admitiu ainda que os técnicos do fabricante estão a trabalhar juntamente com as autoridades para determinar a verdadeira extensão do problema.

Além de constituir mais uma machadada na reputação do fabricante, ainda a braços com o rescaldo do Dieselgate, este episódio pode expor a Porsche a uma pesada penalização. Segundo a lei alemã, caso a vantagem conseguida através da divulgação de dados falsos ultrapasse os 10%, o fabricante pode ser alvo de fortes coimas, abrindo igualmente a porta a que os próprios clientes possam exigir compensações por terem comprado ‘gato por lebre’.

Estes dados falsos são ainda mais graves em países como Portugal, onde a fiscalidade depende das emissões de CO2, valores que são anunciados pelo fabricante. Ao serem declarados valores mais reduzidos do que a realidade, a Porsche retira vantagens comerciais evidentes, podendo praticar preços mais baixos ou elevar as margens. Mas com prejuízo para o Estado e para o ambiente.

Segundo a Porsche, para já, em causa estão os consumos e as emissões relativos aos 911 fabricados em 2016 e 2017. Como a investigação está em aberto, não é impossível que se venha a alargar a outros anos, outras versões e até outros modelos. A marca alemã alega que o erro foi provocado por ter introduzido valores demasiado baixos, e logo falsos, do coeficiente de penetração aerodinâmica, o que fez descer o cálculo teórico do consumo e emissões de CO2.