A Human Rights Watch (HRW) pediu esta segunda-feira ao Papa que use a sua visita aos Emirados Árabes Unidos (EAU) para pressionar os governantes do país em relação às graves violações dos direitos humanos no Iémen e à repressão às críticas internas. A organização não-governamental (ONG) dos direitos humanos divulgou uma carta esta segunda-feira, dia em que Francisco inicia a primeira visita papal à Península Arábica.

A HRW afirmou que a coligação internacional liderada pela Arábia Saudita — apoiada pelos Emirados Árabes Unidos — bombardeou casas, mercados e escolas indiscriminadamente no Iémen, ao mesmo tempo em que impediu que a ajuda humanitária chegasse os iemenitas. A organização também referiu que as autoridades dos Emirados têm como alvos críticos, dissidentes políticos e ativistas de direitos humanos, realizando detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados.

A HRW pediu, na carta, que o Papa liderasse a pressão internacional para responsabilizar o EAU pelos seus atos contra os direitos humanos. O documento referiu que, “apesar das suas afirmações sobre a tolerância, o Governo dos Emirados Árabes Unidos não demonstrou interesse real em melhorar seu histórico de direitos humanos”.

Francisco chegou no domingo aos Emirados Árabes Unidos, tornando-se o primeiro líder da Igreja Católica a pisar o solo da Península Arábica, berço do Islão. Antes de partir para os Emirados, o Pontífice pressionou as partes envolvidas na guerra do Iémen “para favorecerem de modo urgente o respeito dos acordos” para uma trégua em Hodeida (oeste), essencial para a distribuição de ajuda internacional.

Os Emirados Árabes Unidos participam na coligação internacional que ajuda militarmente o Governo iemenita na luta contra os rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão.

Cerca de um milhão de católicos — a maioria imigrantes asiáticos — vive nos Emirados, país cuja população é constituída por mais de 85% de expatriados, e podem praticar a sua religião em oito igrejas. Desde o início do seu pontificado, o Papa já se deslocou a vários países cuja população é maioritariamente muçulmana, como o Egito, o Azerbaijão, o Bangladesh e a Turquia. Em março é esperado em Marrocos.