O presidente da câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, foi constituído arguido no processo que decorre no Tribunal de Leiria sobre os incêndios de 17 de junho de 2017, segundo avança o Expresso. O advogado da família de duas das vítimas mortais, Ricardo Sá Fernandes, já tinha apresentado um requerimento a pedir a pronúncia do autarca. Nesse mesmo requerimento, apresentado em novembro de 2018, Sá Fernandes destacou que o autarca “manteve responsabilidades na coordenação da gestão e manutenção dos espaços florestais do município, designadamente em matéria de gestão de combustível, pelo que não se pode eximir às suas responsabilidades no presente caso”.

O requerimento lembrava ainda a ata da reunião do executivo da câmara de Pedrógão de 24 de outubro de 2013, que deixava claro que “o presidente da Câmara ficou na sua dependência direta com o pelouro da proteção civil”.

Recorde-se que, num primeiro momento, o Ministério Públcio imputou 694 crimes a 12 arguidos. Recorde-se que o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Leiria responsabilizou três responsáveis da Proteção Civil e dois responsáveis da EDP pela morte de 63 das 66 pessoas que morreram na sequência do fogo de Pedrógão Grande que lavrou entre 17 e 24 de junho de 2017. Três responsáveis da Ascendi Pinhal Interior e quatro autarcas tinham sido igualmente responsabilizados pelo negligência geral que o Ministério Público imputa aos 12 arguidos acusados. Neste último grupo, encontra-se Jorge Abreu, presidente da Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos, e outros autarcas de alguns dos concelhos atingidos pelo incêndio que destruiu 53 mil hectares de floresta. Agora, Valdemar Alves junta-se a este grupo.