O clima de incerteza quanto ao relacionamento entre Reino Unido e União Europeia (UE), devido ao Brexit, fez nova vítima. A Nissan não arrisca e anunciou que não produzirá o próximo X-Trail em Sunderland. A fábrica em causa é a maior de Inglaterra, sendo aí que se produz um cada três carros do Reino Unido.

O anúncio da marca nipónica teve eco político. Desde logo, porque as instalações fabris de Sunderland garantem 6.700 postos de trabalho. Depois, porque o construtor aceitou em Junho, da parte do Governo britânico, 61 milhões de libras (cerca de 69 milhões de euros) – uma ajuda que faria parte de um pacote de apoio mais amplo, que poderia mesmo chegar aos 80 milhões de libras (92 milhões de euros).

Estas verbas foram acordadas em 2016, como forma de serenar os construtores automóveis quanto à sua competitividade pós-Brexit. Porém, conforme relata a CNN, para receber ajuda governamental, a Nissan teria de alocar a produção de dois modelos a Sunderland, sendo que do acordo fariam parte o Qashqai e o X-Trail. O fabricante japonês concordou.

Agora que aceitou receber 76% desse apoio, a Nissan surpreendeu ao revelar que a próxima geração do maior dos seus SUV não vai sair do Reino Unido. Daí que, no Parlamento, o secretário dos Negócios Greg Clark, o homem que em 2016 conduziu as negociações com o então presidente da Nissan, Carlos Ghosn (detido desde 19 de Novembro), tenha qualificado de “decepcionante” a decisão do fabricante japonês. Citado pela BBC, o governante refere contudo que a Nissan “garantiu que nenhum posto de trabalho será perdido”, acrescentando que a marca continua comprometida com a produção em Sunderland. Daí continuarão a sair o Quashqai, o Leaf e o Juke.

O presidente da Nissan Europa, Gianluca de Ficchy, justificou a deslocação da próxima geração do X-Trail para o Japão invocando “razões comerciais”. Porém, assume que “a contínua incerteza à volta do relacionamento entre Reino Unido e UE não está a ajudar empresas como a nossa a planear o futuro”.

Para fornecer o mercado europeu, o X-Trail será produzido em Kyushu, no Japão, onde a marca japonesa acredita que vai conseguir baixar os custos de produção.