Quando o mundo achava que sabia tudo sobre a estranha dinâmica que une celebridades e redes sociais, eis que veio um ovo, um simples ovo, mostrar que nem tudo é assim tão previsível no que toca a imagens virais. Com mais de 52 milhões de gostos no Instagram (atualmente), a primeira fotografia da conta EGG GANG, publicada no dia 4 de janeiro, bateu o recorde de imagem mais popular desta rede social, até então detido por Kylie Jenner e pelo primeiro primeiro registo fotográfico da filha Stormy, partilhado a 6 de fevereiro de 2018 e com cerca de 18 milhões de gostos.

O feito tem tanto de genial como de absurdo e por detrás dele está um criativo da área da publicidade chamado Chris Godfrey. Mas porquê um ovo? “Um ovo não tem género, raça ou religião. Um ovo é um ovo, é universal”, afirmou Godfrey, à conversa com o The New York Times, a primeira desde que o dito ovo se tornou um fenómeno viral. Pois bem, fique a saber que o ovo tem nome, chama-se Eugene e está pronto a associar-se a causas.

No passado fim de semana, o ovo surgiu associado ao Hulu, uma plataforma de streaming que transmitiu o primeiro vídeo animado da nova personagem da internet, logo após o Super Bowl. “A pressão das redes sociais está a atingir-me”, disse o ovo. “Se também estás a lutar contra isso, fala com alguém”, continuou. No final, o anúncio remetia para a página da Mental Health America, uma organização sem fins lucrativos dedicada a apoiar quem sofre de doenças mentais em todo o território norte-americano. “As pessoas apaixonaram-se por este ovo e Eugene, o ovo, quer continuar a transmitir mensagens positivas”, assinalou Alissa Khan-Whelan, uma das envolvidas na criação da conta EGG GANG, na mesma entrevista.

Aos 29 anos, Chris Godfrey trabalha como criativo na The & Partnership, uma agência de publicidade em Londres. A ideia surgiu, precisamente, com o objetivo de destronar a fotografia de Kylie Jenner. Godfrey admite mesmo que, nove dias após as primeiras trocas de ideias, o recorde já estava batido. Para dar vida ao ovo, Godfrey contou com a colaboração de dois amigos — Alissa Khan-Whelan, de 26 anos, e C.J. Brown de 29. Os três optaram por permanecer no anonimato até ao passado domingo, dia em que o The New York Times publicou a entrevista. “Sentimos que era o momento certo para nos revelarmos. Assim, podemos acabar com toda a especulação”, afirmou Alissa.

Com a popularidade, o ovo Eugene conheceu também a valorização. Marcas e organizações passaram a estar dispostas a pagar milhões pelo seu conteúdo. Como tal, não têm faltado pessoas a quererem associar-se ao fenómeno, nem vozes que especulam sobre quanto terão os criadores do ovo gastado para promovê-lo no Instagram. Os boatos são desmentidos por Godfrey, que garante que a personagem cresceu de forma “completamente orgânica”. Dez milhões de dólares foi o número que circulou na internet, numa altura em que meio mundo tentou quantificar o investimento da primeira marca a associar-se ao ovo. “Bastante exagerado”, foi a reação de Khan-Whelan.

Assim que a imagem do ovo se tornou viral, a conta EGG GANG abriu as Stories a todos os utilizadores. As montagens, trocadilhos, hashtags, tatuagens e cortes de cabelo em torno do ovo só tornaram o objeto redondo ainda mais viral. Chris Godfrey assinala o sucesso que a personagem teve, em especial, junto das crianças. “Nas escolas e assim, começou a espalhar-se. Isto como que se propagou a partir dos recreios”, afirmou.

As últimas semanas têm sido “loucas”, nas palavras do trio de criativos. Os três têm vivido praticamente juntos na zona sudeste de Londres. Eugene vai continuar a ter vida própria e a comunicar com os fãs de todo o mundo. Neste momento, o objetivo da equipa é perceber até onde é que um ovo poderá chegar.