Mário Centeno

Devem evitar-se no boletim de voto exigências que são “impossibilidades aritméticas”, diz Centeno

Mário Centeno assegura que a redução do défice de 4,4% em 2015 para 0,2% no final da legislatura foi um exercício difícil, mas "a exigência que temos pela frente não é menor".

O ministro das Finanças, Mário Centeno, referiu que a consolidação orçamental que o país enfrenta é exigente, numa resposta ao deputado Paulo Trigo Pereira

MIGUEL A. LOPES/LUSA

O ministro das Finanças referiu esta quarta-feira que a consolidação orçamental que o país enfrenta é exigente e avisou que deve evitar-se que sejam transferidas para o boletim de voto promessas e exigências que são impossibilidades aritméticas.

Numa resposta ao deputado Paulo Trigo Pereira, o governante, que está a ser ouvido na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, precisou que, em conjunto, a redução da carga fiscal, o aumento da despesa e a redução do défice são uma “impossibilidade aritmética” e que se deve “ativamente promover que impossibilidades aritméticas não sejam colocadas no boletim de voto”.

A redução do défice de 4,4% em 2015 para 0,2% no final da legislatura (meta inscrita pelo Governo no Orçamento do Estado) foi um exercício difícil, mas “a exigência que temos pela frente não é menor” e tão importante como a meta de défice é a forma como se lá chega, assegura Mário Centeno.

A verdade é que a normalização das relações laborais e de progressão na carreira e a atualização salarial devem passar por uma avaliação muito rigorosa de todas as variáveis com incidência salarial”, referiu

Depois de acentuar que a prioridade do Governo para esta legislatura foi o descongelamento das carreiras, Mário Centeno, repetiu o que o primeiro-ministro afirmou na terça-feira, numa entrevista à SIC, em que admitiu a possibilidade de aumentos salariais generalizados da função pública em 2020, caso a evolução da economia o permita.

“A verdade é que essa normalidade [aumentos salariais] será tanto mais verdade se a evolução da economia assim o permitir e é esta a análise que tem de ser feita”, precisou o titular da pasta das Finanças, lembrando que as medidas que foram tomadas para a retoma da normalidade na função pública — em que o processo de descongelamento das progressões se destaca — vão traduzir-se num aumento de despesas com pessoal de 800 milhões de euros ao longo deste ano. Esta evolução, disse Centeno, começará a ser visível assim que começarem a ser divulgados os primeiros dados da execução orçamental.

Na entrevista à SIC, na noite de terça-feira, António Costa referiu que “para esta legislatura não estava previsto aquilo que é normal, que é repor a atualização anual dos salários. Este ano, contudo, conseguimos uma margem de 50 milhões de euros e a opção que tínhamos era distribui-los por todos ou concentrá-los numa valorização salarial de quem ganha menos. Esta última é a opção que está decidida”.

Relativamente a aumentos salariais para todos os funcionários públicos referiu que esse é um compromisso que o Governo só poderá assumir quando tiver “devidamente definido o cenário macroeconómico para os próximos quatro anos”. 

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Austeridade

Nunca tão poucos enganaram tantos /premium

Rui Ramos
2.381

Em 2016, disseram-nos que a austeridade era uma página, e que estava virada. A austeridade, porém, não é uma página. É um livro inteiro, de que já ninguém lembra o princípio e ninguém sabe o fim.

Segurança Social

Não tinha de ser assim /premium

Helena Matos
681

Em 1974, politicamente bloqueado, o país aguardava que os militares tratassem do assunto. O assunto era o Ultramar. Em 2019, o país está bloqueado de novo. O assunto chama-se Estado Social.

Educação

Estado-educador e Estado-cultura, em marcha?

Mário Pinto

Não existe uma educação para a cidadania única e institucional. Há várias concepções de cidadania, mesmo como concepções de vida democrática, pois há pluralismo social e cultural, ou moral e religioso

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)