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O fim de uma era nos Wizards que começou e acabou com John Wall mas não deixou legado pelo meio

John Wall, base que chegou à NBA em 2010 com rótulo de estrela garantida, lesionou-se de novo e vai estar fora mais de um ano. É o fim de uma era dos Wizards que começou e acabou sem deixar legado.

John Wall tem 28 anos e integrou a equipa de All-Stars da NBA em cinco ocasiões (entre 2014 e 2018)

Getty Images

Há algumas semanas, algo chamado #10yearchallenge invadiu as redes sociais e colocou metade do mundo a recordar como estava há dez anos, o que fazia, o que vestia e que objetivos realizou na década que entretanto passou desde 2009. O propósito do movimento era sublinhar que 2009, ainda que aparentemente um passado recente, já foi mesmo há dez anos – e já muito aconteceu desde aí. De repente, basta recordar que foi em 2009 que Barack Obama tomou posse enquanto presidente dos Estados Unidos, foi em 2009 que José Sócrates foi reeleito primeiro-ministro e foi ainda em 2009 que Cristiano Ronaldo trocou o Manchester United pelo Real Madrid. Mas há histórias que não precisam de um regresso tão longo ao passado – há histórias onde um #2yearchallenge já recorda momentos que parecem longínquos.

Para John Wall, jogador dos Washington Wizards, 2017 foi há muito tempo. Há dois anos, nos playoffs da NBA, o base levou os Wizards até às meias-finais da Conferência Este e começou a cimentar aquilo que parecia ser o afirmar de uma prolongada promessa. Os playoffs trouxeram-lhe uma média superior a 27 pontos por jogo para bater a de 23 que tinha conseguido durante a época regular e ainda os números habituais de mais de dez assistências por partida e 39 minutos de presença em campo. Depois de perder o jogo 7 da meia-final com os Boston Celtics – e após uma temporada que nada mais lhe trouxe se não glória, elogios e antevisões de que em espaço de um ano seria já um dos melhores da NBA –, deixou o Boston Garden visivelmente chateado e nada satisfeito por não ter chegado à final da conferência que os Cleveland Cavaliers de LeBron James acabariam por vencer (para depois perderem a final com os Golden State Warriors de Stephen Curry e companhia).

Em 2017, durante um dos jogos da meia-final dos playoffs da Conferência Este com os Boston Celtics

John Wall, então com 26 anos, parecia estar na última fase de progressão, depois da etapa de construção de uma reputação, da etapa de maturação e da etapa de vitórias consecutivas. Há dois anos, o base que deu nas vistas no basquetebol universitário da Universidade do Kentucky parecia estar a chegar à etapa de deixar também um legado. A dupla operação aos dois joelhos que o tinha parado na temporada anterior parecia já uma memória antiga e Wall estava agora a prosperar sob um novo treinador e ao lado de Bradley Beal e Otto Porter Jr., os dois jogadores que formam o trio que fez os Washington Wizards acreditar de forma racional, pragmática e exequível que a glória de 1978, o único ano em que se tornaram campeões da NBA, podia repetir-se em tempo útil – ou pelo menos num triunfo na Conferência Este.

Mas passaram dois anos. E dois anos, na vida e na carreira de John Wall, são uma eternidade. Depois de estar presente durante a primeira metade da temporada, o cinco vezes All-Star lesionou-se no final de dezembro e foi operado ao calcanhar esquerdo já no início de janeiro – ainda que a cirurgia fosse a garantia de uma ausência de seis a oito meses, ou seja, de um fim embrionário da presente época, o norte-americano de 28 anos foi aconselhado a submeter-se já à intervenção para evitar problemas mais sérios como, de entre outros, um rasgão do tendão de Aquiles. Este fim de semana, porém, John Wall caiu em casa e acabou por rasgar mesmo o tendão de Aquiles. A nova cirurgia, que deve acontecer nos primeiros dias da próxima semana, vai deixar o base de fora de competição durante dez a 12 meses, o que torna já difícil um eventual regresso na reta final da temporada 2019/20.

Num dos últimos jogos que fez antes de ser operado ao calcanhar, em dezembro, contra os LA Lakers

Um exame inicial, logo após a queda, não mostrava nada de anormal. “Tentámos colocá-lo sob antibióticos mas a infeção no local onde ele tinha sido operado não estava a melhorar. Por isso decidimos explorar e acabámos por descobrir que ele tinha mesmo uma rutura”, explicou Wiemi Douoguih, diretor clínico dos Wizards, ao Washington Post. A intervenção da próxima semana, para recuperar o tendão, será a quinta grande cirurgia a que John Wall é submetido desde 2016: aos 28 anos, com dois joelhos já operados e um tendão de Aquiles que não mais voltará a ser igual, o base pode ter chegado a um ponto de não retorno numa carreira que ainda há dois anos parecia no princípio.

Depois de chegar à NBA em 2010, com 19 anos e enquanto primeira escolha da equipa de Washington no draft daquela temporada, John Wall foi visto o salvador de uma equipa que estava há muito afastada das grandes decisões e apresentado – literalmente – com a passadeira vermelha estendida. Em julho passado, mesmo com as lesões recorrentes e depois de uma temporada onde os Wizards não foram além da primeira ronda dos playoffs, o dono da franquia reafirmou a confiança numa eventual explosão de John Wall e ofereceu-lhe uma extensão de contrato válida por quatro anos e no valor de quase 170 milhões de dólares. Escusado será dizer que a lesão (ainda mais) prolongada do basquetebolista deixa os Washington Wizards numa situação frágil a nível financeiro, já que não terão o retorno dos milhões investidos em Wall, como também num prisma desportivo, já que esse rombo nos cofres poderá causar a saída de Bradley Beal e Otto Porter Jr.

John Wall chegou a Washington em 2010 e tornou-se não só a cara do basquetebol da cidade que é capital dos Estados Unidos como também um elemento importante na comunidade, contribuindo regularmente para escolas públicas básicas e secundárias e participando em eventos que têm como objetivo a promoção da prática do desporto entre os jovens. Num #2yearchallenge rápido e pouco feliz, o base passou de grande promessa da NBA a lesionado por tempo quase indefinido. Com John Wall, os Wizards abriram e fecharam uma era – sem qualquer legado pelo meio.

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