Toyota

O novo RAV4 da Toyota é um poço de surpresas

O construtor japonês apresentou o seu novo RAV4, o SUV da gama média mais importante da marca. Que tem uma série de novidades, desde utilizar a base do Prius a ter tracção atrás… eléctrica.

A primeira novidade que salta à vista no novo RAV4 é a sua estética mais forte e com mais personalidade, em linha com o que Akio Toyoda, bisneto do fundador da Toyota e actual presidente, afirmou, quando garantiu que a marca não faria mais “carros aborrecidos”. Uma afirmação corajosa, mas que confirma que o produto apresentado até aqui enfermava de linhas de gosto duvidoso.

A frente mais agressiva, com uma grelha de dimensões generosas e com imponentes entradas de ar, um perfil lateral em cunha e com alargamentos angulados nos guarda-lamas, e uma traseira mais consensual e com o pilar posterior inclinado da forma correcta, tornam o RAV4 mais atraente, dotando-o de um aspecto de veículos de maiores dimensões. O que até acaba por se verificar, uma vez que o novo SUV é 3 cm mais comprido.

Porquê a base do Prius?

O novo SUV japonês não é apenas mais atraente. Começa por recorrer a uma nova plataforma, a TNGA, a mesma já utilizada pelos Prius e C-HR, o que lhe permite ganhar em rigidez, com a marca a anunciar um ganho de 57% neste domínio, além de passar a usufruir de suspensões de triângulos sobrepostos e direcção eléctrica, características da nova plataforma.

A TNGA facilita ainda a distribuição de massas pelos dois eixos, com o novo RAV4 a reivindicar 51% do peso à frente e 49% atrás, além de um posicionamento mais baixo do centro de gravidade, o que curiosamente é alcançado apesar de o novo SUV possuir uma maior distância (15 mm) ao solo. O aparente milagre deve-se a uma série de factores, a começar pela montagem dos bancos 15 mm mais abaixo, o que também fez com que se conseguisse uma menor altura ao nível do tejadilho.

É à nova plataforma que se devem igualmente as vias mais largas, tanto à frente (35 mm) como atrás (55 mm), o que juntamente com a maior rigidez e o melhor posicionamento do centro de gravidade, explica a evolução em matéria de comportamento.

Como é por dentro?

Construção sólida, como é habitual na marca, melhores materiais do que no anterior RAV4 e mais espaço, sobretudo para quem viaja atrás, caracterizam o novo modelo, que se actualiza no que respeita à conectividade, emparelhamento com os smartphones, que passam a poder ser recarregados via wireless. A tudo isto há que juntar um sistema de som JBL Premium, com nove altifalantes e sistemas de segurança mais evoluídos, agrupados no pack Toyota Safety Sense.

Curioso é o retrovisor interior, que tanto pode funcionar de forma convencional como transformar-se num ecrã, onde é projectada a imagem recolhida por uma câmara montada na traseira, incrementando a visibilidade e a definição.

O facto de os bancos estarem montados mais em baixo, face ao modelo anterior, não belisca a sensação que muito clientes exigem aos SUV, que consiste no acréscimo de visibilidade por estarem sentados mais acima. Lá atrás surge uma bagageira com 580 litros, mais 79 do que anteriormente, que se pode abrir com o passar do pé sob o pára-choques, desde que se tenha a chave no bolso.

Há versões 4×4 ou só com tracção à frente?

Como é hábito neste segmento de SUV com cerca de 4,6 metros de comprimento, também o RAV4 está disponível com versões 4×4 e 4×2, para que os clientes decidam qual o modelo que mais se adapta às suas necessidades. Todas as versões são híbridas e recorrem sempre ao motor de quatro cilindros e 2,5 litros atmosférico a gasolina (para ser mais exacto, com 2.487 cc), o mesmo que funciona segundo o ciclo Atkinson (o que reduz os consumos e emissões) e que já é utilizado em alguns Lexus, com 177 cv.

A versão com apenas tracção à frente monta um motor eléctrico com 122 cv, entre a unidade a combustão e a caixa de velocidades, que é de variação contínua, com o sistema a gerir a energia da pequena bateria de 1,6 kWh para colocar o motor eléctrico a ajudar o de combustão no arranque, a circular durante curtos instantes a baixa velocidade (em garagens, por exemplo) e sempre que se acelera, reduzindo nos consumos. Para depois promover a recarga da bateria nas travagens. No conjunto, a versão 4×2 disponibiliza um total de 218 cv, o que é suficiente para atingir os 100 km/h em 8,4 segundos e uns magros 180 km/h. A vantagem reside no consumo, pois o motor atmosférico de capacidade mais generosa do que o habitual, ajudado pelo eléctrico, anuncia apenas 4,6 litros/100 km, a que correspondem 105 g de CO2 por quilómetro.

A versão 4×4 do RAV4 é em tudo similar à 4×2, excepção feita para o facto de montar na traseira um segundo motor eléctrico, com apenas 54 cv e sem qualquer ligação física (veios de transmissão ou diferencial central) à mecânica que está junto ao eixo dianteiro. Com a finalidade de colocar tracção nas rodas traseiras, para permitir ao RAV4 sair de situações mais delicadas, ou para circular em zonas cobertas de neve ou lama, o pequeno motor traseiro é capaz de surpreender. Enquanto tem bateria, é claro. Como ela é pequena, se o condutor continuar a circular por montes e vales, com sucessivas perdas de tracção, o motor 2.5 começa a trabalhar com outro ritmo, para manter o acumulador com carga suficiente. O sistema de gestão dos dois motores eléctricos e da unidade a gasolina garante ao modelo 222 cv, o que mantém os 180 km/h, mas baixa para 8,1 segundos o 0-100 km/h, embora o RAV4 4×4 pese mais 60 kg.

Como é ao volante?

A 5ª geração do RAV4 revelou-se uma surpresa agradável, assim que assumimos o volante. Não se sente um peso excessivo e, apesar de estarmos sentados mais acima do que num automóvel convencional, neste SUV não ficámos com a sensação de estar a bordo de um “camião”.

Em auto-estrada, com alguns declives e a 120 km/h, rodámos sem problemas com consumos ligeiramente superiores a 6 litros/100 km, um valor interessante mas acessível para motores mais pequenos sobrealimentados, com o modelo a revelar-se silencioso, especialmente perante uma condução relaxada. À medida que o ritmo aumentava, o consumo aumentava proporcionalmente, como seria de esperar e é normal, mais nos motores a gasolina do que nos a gasóleo.

Com a chegada das estradas de montanhas, o RAV4 revelou uma agilidade muito superior à geração anterior, com as suspensões a trabalharem bem e o Toyota a descrever as curvas sem esforço. E apesar de estarmos aos comandos de uma versão 4×4, o motor eléctrico traseiro só mostra serviço quando é necessário, o que em piso seco nunca (ou raramente) acontece.

Quando acelerámos um pouco mais, a caixa CVT passou a tornar-se mais evidente, com a rotação do motor a não ter uma correspondência directa com o andamento, o que desaparece se pressionarmos um pouco mais o acelerador. Isto dá-nos acesso ao segundo programa de utilização da caixa de variação contínua, com mudanças virtuais, o que evita o escorregamento em condução mais desportiva.

À medida que subíamos a montanha, o aparecimento da neve e gelo levou-nos a agradecer estar ao volante de um carro com tracção integral, pois as perdas de aderência eram constantes e a condução passou a assemelhar-se mais a um exercício de patinagem. Ainda assim sem problemas ou sustos, apesar de termos por diversas vezes tentado colocar o SUV perante situações complicadas.

Lamentavelmente, as más condições meteorológicas impediram-nos de pôr o RAV4 à prova em fora de estrada, uma vez que os percursos originalmente em terra ficaram intransitáveis, mesmo para SUV, pelo que esta capacidade do RAV4 terá de ficar para outra ocasião. O regresso foi efectuado numa versão com apenas duas rodas motrizes, sem que o consumo ou a rapidez na resposta ao acelerador se alterassem de forma evidente.

O RAV4 já está disponível em Portugal, exclusivamente na versão 4×2, com a versão 4×4 do SUV japonês a chegar em Março. A Salvador Caetano, representante da marca em Portugal, prevê que 90% das unidades vendidas possuam apenas tracção à frente, sobretudo por serem mais baratas. O RAV4 vai ser disponibilizado com cinco níveis de equipamento, respectivamente o Active, o mais simples (mas já muito recheado de quipamento), o Comfort, Square Collection, Exclusive e Lounge, o mais oneroso e completo. Os preços arrancam nos 38.790€ (RAV4 Active 4×2), para depois o Comfort exigir mais cerca de 2.500€, enquanto o RAV4 4×2 Lounge está à venda por 49.590€.

Participe nos Prémios Auto Observador e habilite-se a ganhar um carro

Vote na segunda edição do concurso dedicado ao automóvel cuja votação é exclusivamente online. Aqui quem decide são os leitores e não um júri de “especialistas” e convidados.

Participe nos Prémios Auto ObservadorVote agora

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: alavrador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)