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Cerca de 500 pessoas foram retiradas das suas casas, em Barão de Cocais, uma cidade da região de Minas Gerais no Brasil. Em causa está uma medida de prevenção relacionada com a barragem da mina Gongo Seco, gerida pela Vale — a mesma empresa responsável pela barragem de Brumadinho, cujo rebentamento em janeiro provocou a morte a pelo menos 157 pessoas.

A informação foi confirmada pela autarquia de Barão de Cocais, que informou que a Agência Nacional de Mineração determinou a retirada dos habitantes das comunidades de Socorro, Tabuleiro e Piteiras, durante a madrugada desta sexta-feira. No local podiam ouvir-se sirenes, segundo informa a Globo.

A Prefeitura de Barão de Cocais, por meio de nota oficial da Vale, comunica: VALE INFORMAVale informa sobre barragem…

Posted by Prefeitura de Barão de Cocais on Friday, 8 February 2019

A Vale, empresa responsável pela gestão da barragem em Barão de Cocais, explica que se trata de uma medida preventiva, depois de a empresa de consultoria Walm ter negado dar a Declaração de Condição de Estabilidade à estrutura. “Como medida de segurança, a Vale está a intensificar as inspeções da barragem Sul Superior. Também será implantado equipamento com capacidade de detetar movimentações milimétricas na estrutura”, informou a empresa. A avaliação da Agência Nacional de Mineração, da Defesa Civil do Estado, do município e da própria Vale levou a que fosse acionado o nível de risco 2 para a barragem. No próximo domingo será feita uma nova avaliação.

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A barragem em causa faz parte do conjunto de 10 barragens que a Vale pretende eliminar na sequência da tragédia de Brumadinho, segundo explica a Globo. A infraestrutura foi construída pelo método de “alteamento a montante”, que está considerado ultrapassado e pouco seguro, e que foi usado tanto na barragem de Brumadinho como na de Mariana, que se rompeu em 2015.

Também em Itatiaiuçu, que fica a cerca de 160 quilómetros de Barão de Cocais, 50 famílias foram retiradas de casa durante a madrugada e transferidas para um hotel por causa de outra barragem, a da Mina de Serra Azul, gerida pela ArcelorMittal. De acordo com os moradores, ouvidos pelo Estado de Minas, as sirenes tocaram pelas 4h da manhã.

“Em Itatiaiuçu a barragem foi elevada ao nível 2 de risco, e nesse nível há necessidade de evacuação. Os técnicos vão fazer todas as medidas, todos os laudos, e se voltar para nível 1, elas voltam para as residências. Se continuar no nível 2, elas permanecem nos hotéis”, afirmou o tenente-coronel Flávio Godinho à rádio Itatiaia.

A revista Veja acrescentou ainda na quinta-feira ter descoberto que a Vale realizou detonações em Brumadinho, antes do desastre, contrariando as recomendações da empresa que fazia inspeções de segurança à barragem.