O autoproclamado Estado Islâmico está a perder poder e territórios na Síria, e mostra agora divisões internas. Um combatente da própria organização terrorista terá atacado o líder do ISIS, Abu Bakr al-Baghdadi, avança o The Guardian. Depois de um tiroteio junto ao esconderijo do chefe do ISIS, numa vila próxima de Hajin, na zona este da Síria,  Abu Bakr al-Baghdadi terá fugido para uma zona deserta próxima enquanto os seus seguranças faziam dispersar os combatentes rebeldes.

A tentativa de golpe foi liderada por aquele que se acredita ser um dos mais antigos combatentes estrangeiros do ISIS, Abu Muath al-Jazairi. A organização terrorista não denunciou diretamente o rebelde, mas colocou-lhe a cabeça a prémio, de acordo com os serviços de inteligência ingleses que comentam ser muito raro a organização oferecer-se publicamente para pagar pela morte de um dos próprios membros. A mesma fonte explicou ao jornal britânico que os guarda-costas do líder do ISIS se aperceberam do ataque “mesmo a tempo”, tendo o tiroteio resultado em duas mortes no lado de atacantes.

Estima-se que a ISIS tenha, neste momento, cerca de 500 combatentes. Em 2015 seriam quase 70 mil. O território controlado pelo autoproclamado Estado Islâmico está reduzido a uma fatia de território na fronteira do Iraque e da Síria, perto de Baghuz, menos de 1% da Síria. É aqui que se concentra a maioria dos responsáveis da organização terrorista.

A localização exata do líder do movimento é uma das maiores preocupações dos serviços militares internacionais. Abu Bakr al-Baghdadi é diabético, hipertenso e nunca recuperou plenamente de ferimentos sofridos num ataque aéreo em 2015. O terrorista não faz uma aparição pública desde 2014, quando se declarou líder do autoproclamado Estado Islâmico na mesquita de al-Nuri em Mossul.

Os militares curdos — que estão a cercar, em conjunto com forças iraquianas, os territórios ainda controlados pela ISIS — estimam que o grupo terrorista tem armamento e mantimentos suficientes para sobreviver até março de 2019. Caso os combatentes restantes do autoproclamado Estado Islâmico decidam fugir, devem seguir para sul, atravessando desertos controlados por forças russas e turcas.