Ana Rita Cavaco garante que não quer que se instale o “descontrolo” nas relações entre os enfermeiros e o poder político, acusando António Costa de ter sido o “causador” da crispação verbal. Em entrevista à TSF e ao Diário de Notícias, reconhece que as suas opiniões e declarações, “que nunca são agressivas, o incomodem mas, de facto, ele foi muito agressivo com a Ordem dos Enfermeiros e isso provocou naturalmente uma revolta”. A bastonária da Ordem dos Enfermeiros garante, também, que “daquilo que nós sabemos até aqui, sem falar com os enfermeiros diretores, a informação que temos é que não houve” violações dos serviços mínimos.

“A Ordem tem obrigação de falar com quem está no terreno também e é isso que procuramos fazer”, sublinhou Ana Rita Cavaco. “Quando vemos, ou através da comunicação social ou de algum responsável de outra instituição ou de outra entidade homóloga, que existiu esta violação e quando dizem onde foi, a nossa preocupação é falar com quem está lá todos os dias dentro dos blocos e perceber aquilo que se passou”, salientou, acrescentando que “isto não é um dérbi, não é um Benfica-Sporting”.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros comentou, também, que quem está a financiar a greve são “maioritariamente os enfermeiros que se quotizaram” — “as contribuições não vieram, como eu sei que não vieram, de grupos de interesses”. Ana Rita Cavaco não excluiu a possibilidade de se divulgarem os nomes de quem financiou a greve, através da plataforma de crowdfunding, mas há que ter cuidado com a questão legal dessa divulgação.

“Acho que [essa questão] tem de ser respondida pela Comissão Nacional de Proteção de Dados -, hoje há um novo regime, uma nova lei de proteção de dados, e por muito que eles queiram revelar quem são os contribuidores ou a PPL o queira fazer, por que esses têm toda a informação, eu acho que tem que haver aqui uma pronúncia da Comissão Nacional de Proteção de Dados para ninguém cair numa ilegalidade”. Esta é a posição de Ana Rita Cavaco, que garante que não tem acesso aos dados de quem financiou a greve: “não tenho nem quero ter”.