Um grupo de membros do partido democrata norte-americano, liderados pela congressista Alexandria Ocasio-Cortez, divulgou um plano económico — o Green New Deal — que promete lançar uma “transformação fundamental da nossa sociedade”, com a eliminação do uso de combustíveis fósseis e a criação de “milhões de empregos sindicalizados suficientes para suportar uma família”. Mas o plano, pelo menos uma versão que o grupo reconhece ter colocado na Internet, defendia, também, “segurança económica para aqueles que não podem ou não querem trabalhar“. A proposta foi ridicularizada pelos republicanos, mas o grupo entrou em modo de contenção de danos, alegando que o documento não era a versão final e acusando os republicanos de terem falsificado o documento.

A confusão instalou-se depois de meios de comunicação como a CNBC publicarem notícias — com documento incluído — onde aparecia a proposta de Ocasio-Cortez de lançar um novo New Deal para a economia norte-americana, uma espécie de nova versão do plano apresentado por Franklin Delano Roosevelt após a Grande Depressão dos anos 30.  Terá sido a própria equipa de Ocasio-Cortez, democrata de Nova Iorque que viu a sua popularidade disparar recentemente nas redes sociais, que enviou para vários jornais a versão do plano que, de facto, não só fala da segurança económica para quem não quer trabalhar como fala das “emissões das vacas” e das viagens aéreas, dando a entender que estas últimas poderiam ser proibidas.

Esse documento foi enviado, durante a semana, com embargo até ao final da semana — continua uma visão geral do plano, por pontos, e uma secção de FAQ (questões colocadas frequentemente). Quando foi publicado, mais do que indignação, o documento causou comentários jocosos, sobretudo vindos de pessoas ligadas ao partido republicano. Alexandria Ocasio-Cortez reconheceu que esse documento tinha sido enviado, por engano, e depois eliminado por ser um “rascunho”. Mas, salientando que há “várias versões falsificadas a circular por aí”, a congressista sublinhou que o que importa é o documento que foi entregue ao Congresso norte-americano (que apenas fala no objetivo de “promover a justiça e a igualdade”).

A versão final da resolução pode ser encontrada nesta ligação. Um porta-voz do movimento liderado pela congressista nova-iorquina confirmou, citado pelo The Hill, que houve um rascunho que era uma versão “claramente inacabada”, que não representa a resolução que acabou por ser efetivamente submetida (a ideia era esperar pelo lançamento, monitorizar as perguntas que surgissem, e reescrever o FAQ antes da publicação). Uma grande confusão, portanto.