Estados Unidos da América

Ocasio-Cortez propôs mesmo proteção para quem “não quer trabalhar”?

371

Confusão instalada após Alexandria Ocasio-Cortez ter difundido um plano em que se pedia proteção para quem não quer trabalhar. E se queria eliminar a flatulência das vacas. Há acusações de fraude.

AFP/Getty Images

Um grupo de membros do partido democrata norte-americano, liderados pela congressista Alexandria Ocasio-Cortez, divulgou um plano económico — o Green New Deal — que promete lançar uma “transformação fundamental da nossa sociedade”, com a eliminação do uso de combustíveis fósseis e a criação de “milhões de empregos sindicalizados suficientes para suportar uma família”. Mas o plano, pelo menos uma versão que o grupo reconhece ter colocado na Internet, defendia, também, “segurança económica para aqueles que não podem ou não querem trabalhar“. A proposta foi ridicularizada pelos republicanos, mas o grupo entrou em modo de contenção de danos, alegando que o documento não era a versão final e acusando os republicanos de terem falsificado o documento.

A confusão instalou-se depois de meios de comunicação como a CNBC publicarem notícias — com documento incluído — onde aparecia a proposta de Ocasio-Cortez de lançar um novo New Deal para a economia norte-americana, uma espécie de nova versão do plano apresentado por Franklin Delano Roosevelt após a Grande Depressão dos anos 30.  Terá sido a própria equipa de Ocasio-Cortez, democrata de Nova Iorque que viu a sua popularidade disparar recentemente nas redes sociais, que enviou para vários jornais a versão do plano que, de facto, não só fala da segurança económica para quem não quer trabalhar como fala das “emissões das vacas” e das viagens aéreas, dando a entender que estas últimas poderiam ser proibidas.

Esse documento foi enviado, durante a semana, com embargo até ao final da semana — continua uma visão geral do plano, por pontos, e uma secção de FAQ (questões colocadas frequentemente). Quando foi publicado, mais do que indignação, o documento causou comentários jocosos, sobretudo vindos de pessoas ligadas ao partido republicano. Alexandria Ocasio-Cortez reconheceu que esse documento tinha sido enviado, por engano, e depois eliminado por ser um “rascunho”. Mas, salientando que há “várias versões falsificadas a circular por aí”, a congressista sublinhou que o que importa é o documento que foi entregue ao Congresso norte-americano (que apenas fala no objetivo de “promover a justiça e a igualdade”).

A versão final da resolução pode ser encontrada nesta ligação. Um porta-voz do movimento liderado pela congressista nova-iorquina confirmou, citado pelo The Hill, que houve um rascunho que era uma versão “claramente inacabada”, que não representa a resolução que acabou por ser efetivamente submetida (a ideia era esperar pelo lançamento, monitorizar as perguntas que surgissem, e reescrever o FAQ antes da publicação). Uma grande confusão, portanto.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: ecaetano@observador.pt
NATO

Os 70 anos da NATO, vistos da Europa


João Diogo Barbosa

Não só o “exército europeu” se tornou um dos temas essenciais para o futuro, como foi possível, pela primeira vez, a aprovação de um Programa Europeu de Desenvolvimento Industrial no domínio da Defesa

NATO

Os 70 anos da NATO, vistos da Europa


João Diogo Barbosa

Não só o “exército europeu” se tornou um dos temas essenciais para o futuro, como foi possível, pela primeira vez, a aprovação de um Programa Europeu de Desenvolvimento Industrial no domínio da Defesa

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)