Primeira Liga NOS

Uma goleada que foi ainda maior do que as de antigamente (a crónica do Benfica-Nacional)

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O Benfica goleou o Nacional por 10-0, num resultado histórico que não acontecia desde 1964. Jonas regressou e bisou e Chalana teve a homenagem merecida no dia do 60.º aniversário.

O Benfica está já a um ponto do FC Porto

EPA

Se no final de 2018, há menos de dois meses e antes da saída de Rui Vitória do comando técnico do Benfica, alguém dissesse aos adeptos encarnados que o clube da Luz estaria na segunda semana de fevereiro a um ponto da liderança, isolado no segundo lugar, e tinha vencido o Sporting por duas vezes consecutivas, o mais provável era que a grande maioria não acreditasse. Mas a verdade é que com o empate do FC Porto em Moreira de Cónegos na passada sexta-feira, o Benfica podia mesmo ficar a apenas um ponto do primeiro lugar e depender apenas de si para ser campeão nacional, já que ainda vai jogar com os dragões nesta segunda volta.

Depois de duas vitórias contra o Sporting, Bruno Lage tinha pela frente um Nacional da Madeira que não vencia há 40 dias e havia somado apenas um ponto nos últimos cinco jogos. Ainda assim, e mesmo com uma aparente e teórica facilidade num encontro contra uma equipa a lutar pela manutenção na Primeira Liga, o treinador encarnado não arriscou e colocou em campo aquele que é provavelmente o melhor onze atual do Benfica — tendo em conta as restrições levantadas pelos jogadores lesionados. Ferro estreava-se a titular na equipa principal no eixo da defesa, ao lado de Rúben Dias, para render o indisponível Jardel e após ter entrado a frio no dérbi da Taça com o Sporting; Rafa era titular em detrimento de Salvio, que surgiu no onze inicial na passada quarta-feira; Vlachodimos regressava à baliza; e Jonas era ainda novidade nos convocados, começando a partida no banco de suplentes (onde estava também o jovem Florentino Luís). Do outro lado, Costinha não podia contar com o habitualmente titular Jota, devido a lesão.

No que diz respeito a estatística e mesmo respeitando alguma necessária relativização, era preciso recordar que o Nacional é a pior defesa do Campeonato no que diz respeito a jogos fora de casa mas, contudo, também era importante lembrar que os madeirenses só não marcaram em Santa Maria da Feira sempre que saíram da Choupana. A equipa de Costinha, habituada a colocar em prática um jogo aberto e descomplicado que não aplica o normal “autocarro à frente da baliza” quando encontra equipas teoricamente superiores, podia tornar-se perigosa caso o Benfica não se colocasse em vantagem nos primeiros minutos e acumulasse alguma ansiedade. Esta, porém, não terá sido sequer uma preocupação para Bruno Lage, que viu Grimaldo resolver o problema quando o relógio marcava ainda 30 segundos de jogo.

Ficha de jogo

Benfica-Nacional, 10-0

21.ª jornada da Primeira Liga NOS

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Nuno Almeida (AF Algarve)

Benfica: Odysseas, André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Samaris (Florentino Luís, 62′), Gabriel, Pizzi, Rafa, João Félix (Krovinovic, 68′), Seferovic (Jonas, 73′)

Suplentes não utilizados: Svilar, Cervi, Salvio, Gedson

Treinador: Bruno Lage

Nacional: Daniel, Kalindi, Rosic, Júlio, Filipe Ferreira (Witi, 17′), Vítor Gonçalves, Alhassan (Arabidze, 45′), Palocevic, Marakis (Riascos, 84′), Rashidov, Camacho

Suplentes não utilizados: Framelin Ohoulo, Diogo Coelho, D. Barcelos, Rochez

Treinador: Costinha

Golos: Grimaldo (1′), Seferovic (21′ e 27′), João Félix (50′), Pizzi (gp, 54′), Ferro (56′), Rúben Dias (64′), Jonas (85′ e 90′) e Rafa (88′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Samaris (20′)

Logo após o apito inicial de Nuno Almeida, o corredor esquerdo do Benfica deu a primeira amostra daquilo que faria durante todo o primeiro tempo. Rafa descobriu Seferovic a dar largura ao jogo no corredor esquerdo e o suíço levou dois defesas do Nacional com ele, abrindo um autêntico corredor para Grimaldo, que avançou desde terrenos mais recuados para aparecer na grande área a bater Daniel quando a partida não tinha sequer um minuto.

A primeira jogada e o primeiro golo do Benfica eram um exemplo daquilo que a atual ala esquerda encarnada, na íntegra, consegue fazer. Grimaldo, em claro pico de forma há várias semanas, é um lateral completo e que se entende às mil maravilhas com os elementos mais ofensivos; Rafa, hoje o médio mais perto do corredor, aproveita a segurança que Gabriel oferece em terrenos mais interiores para encostar à linha lateral e oferecer soluções; e Seferovic, mais descaído na esquerda ao lado de João Félix, atravessa uma boa fase não só a nível de concretização como de entendimento com a equipa, trocando muitas vezes com Rafa e aparecendo mais junto à ala, num movimento importante que arrasta jogadores da defesa adversária e abre espaços na grande área.

Nos minutos que se seguiram, e já depois de Costinha perder Filipe Ferreira devido a lesão e ser obrigado a lançar Witi (que, curiosamente, jogou com Rúben Dias e Ferro na formação encarnada), o Benfica poderia ter chegado ao segundo golo de forma natural, primeiro por intermédio de Seferovic a passe de Grimaldo (12′) e depois através de Pizzi, que surgiu ao segundo poste a responder a uma grande jogada que teve início em Vlachodimos e só precisou de três passes para chegar à área contrária (14′). O inevitável avolumar da vantagem apareceu ao minuto 21, quando Gabriel recuperou uma bola já no último terço do meio-campo do Nacional e apanhou a defesa madeirense descompensada: João Félix, que até estava a fazer um jogo discreto e tinha tocado na bola apenas em duas ocasiões, tirou da manga um grande passe a desmarcar Seferovic, que sozinho com Daniel não falhou.

O Benfica dominava por completo e até ao terceiro golo foi só preciso esperar seis minutos — sendo que durante esse tempo os encarnados poderiam ter marcado por duas vezes. Seferovic bisou a passe de André Almeida, que surgiu no corredor direito depois de uma boa abertura de Pizzi. De forma normal e natural, a equipa de Bruno Lage desacelerou nos últimos minutos da primeira parte e deu espaço ao Nacional, abrindo alguns metros entre os setores. Witi falhou o golo de forma inacreditável, com a baliza de Vlachodimos quase deserta, mas o Benfica foi mesmo para o intervalo a vencer de forma inequívoca por 3-0 contra um Nacional que tinha apenas dois um remates e só um desses enquadrado.

E se a entrada do Benfica no jogo tinha sido perto do demolidor, o arranque da segunda parte foi absolutamente implacável. Em seis minutos, os encarnados marcaram três vezes e levaram os números da partida para a goleada clara: João Félix foi o primeiro, ao surgir ao segundo poste depois de um livre de Pizzi na esquerda; o próprio Pizzi marcou logo a seguir, depois de uma grande penalidade que ele próprio sofreu; e Ferro completou os seis minutos infernais do Benfica, com uma cabeçada após um pontapé de canto que acrescentou a estreia a marcar à estreia enquanto titular ao jovem central encarnado.

O sétimo golo, que deu laivos de goleada das antigas ao jogo deste domingo, apareceu aos 64 minutos, por intermédio de Rúben Dias depois de mais um livre de Pizzi, mas nesta altura os números que os jogadores do Benfica acumulavam eram já impressionantes: Grimaldo está já na sua época mais goleadora (seis golos); Seferovic continua a marcar em todos os jogos com Bruno Lage no comando técnico encarnado e leva já tantos golos nas duas épocas na Luz como nas quatro anteriores no Eintracht Frankfurt e na Real Sociedad (23); Pizzi assistiu três vezes e é cada vez mais o rei das assistências na Primeira Liga (13); João Félix voltou a marcar e inscreve o nome na ficha de jogo há três partidas consecutivas. Contra um Nacional inofensivo e que começou o jogo a perder, o Benfica aproveitou para passear na Luz e apresentar um futebol de nível acima da média, muito seguro na primeira linha de pressão e com uma confiança evidente que permite arriscar lances e jogadas que numa situação dita normal não seriam equacionados.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Benfica-Nacional:]

Mais do que uma grande exibição coletiva, Bruno Lage pode este domingo vangloriar-se de inúmeras grandes prestações individuais: do bis de Seferovic à enorme capacidade de construção de Pizzi, passando pelo espírito combativo inesgotável de Rafa e uma assinalável entrada de Florentino Luís, que em 15 minutos de estreia era o já o jogador com mais desarmes na partida (quatro). A linha defensiva, ainda que raramente solicitada, foi responsável por três golos e uma assistência e manteve-se assertiva e oportuna durante todos os 90 minutos. Jonas, ausente dos relvados há mais de um mês devido a lesão, entrou para o lugar de Seferovic aos 73 minutos e não só mereceu a ovação das bancadas da Luz como coroou o regresso com um bis que ainda teve um golo de Rafa pelo meio.

O Benfica goleou o Nacional por 10-0 e lembrou de forma correta Fernando Chalana, que este domingo completou 60 anos e mereceu um momento de homenagem ainda antes do apito inicial. Os encarnados confirmaram o bom momento por que estão a passar e estão agora a apenas um ponto do FC Porto e da liderança, na antecâmara do regresso das competições europeias e de uma difícil deslocação a Istambul para defrontar o Galatasaray. Contas feitas, desde 1964 — há 55 anos — que ninguém goleava por 10-0 na Primeira Liga.

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