Angola

Angola. Comercialização de diamantes atingiu receita bruta de 1.065 milhões de euros em 2018

Montante é representativo da venda de 8,4 milhões de quilates de diamantes, vindos de explorações diamantíferas das Lundas Sul e Norte. Valor atinge menos 10% no volume, mas mais 11% na receita.

O mercado diamantífero angolano começa a ganhar cada vez maior credibilidade internacional

STEPHANIE LECOCQ/EPA

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  • Agência Lusa

A receita bruta da comercialização de diamantes em 2018 em Angola atingiu os 1.223 milhões de dólares (1.065 milhões de euros), menos 10% no volume, mas mais 11% na receita, comparando com 2017, anunciou esta terça-feira a empresa diamantífera estatal.

Fernando Amaral, administrador da Sociedade de Comercialização de Diamantes de Angola (Sodiam), falava aos jornalistas depois da apresentação dos resultados da comercialização diamantífera relativo ao quarto trimestre de 2018, numa conferência de imprensa no Ministério dos Recursos Naturais e Petróleos angolano.

Segundo Fernando Amaral, o montante é representativo da venda de 8,4 milhões de quilates de diamantes, oriundos das explorações diamantíferas da Lunda Sul (89,2%) e da Lunda Norte (10,8%). Nos últimos três meses de 2018, segundo o administrador da Sodiam, comercializou-se um volume total de 2,5 milhões de quilates, um aumento de 2% em relação a idêntico período de 2017.

A receita bruta da comercialização totalizou 381 milhões de dólares (331,3 milhões de euros), o que representa um aumento de 19% (63,2 milhões de dólares — 54,9 milhões de euros) em relação ao último trimestre de 2017, com o preço médio do quilate a rondar os 152 dólares (132 euros).

Segundo Fernando Amaral, as perspetivas para 2019 são as previstas no Plano Nacional de Desenvolvimento (PDN) 2018/2022 — a meta de produção de 13 milhões de quilates anuais –, “pelo que há uma grande evolução a concretizar pelo caminho”.

Para o administrador da Sodiam, a evolução passa, em primeiro lugar, por otimizar o que existe atualmente em termos de produção, bem como por fazer novas descobertas e pôr novas minas a funcionar. “Estamos a pensar na mina de Luó, acho que será uma grande valia, uma grande mais-valia, que, pelo que estamos a ver agora, será talvez um dos maiores kimberlitos que temos”, exemplificou.

Questionado pela agência Lusa sobre o facto de a atual produção estar localizada 100% nas Lundas (Norte e Sul) e se há a intenção de variar a prospeção para outras províncias, Fernando Amaral admitiu que estão em estudo os solos no Bié, Cuando Cubando e Cunene, “onde existem indícios de ocorrências kimberlíticas”.

“Geologicamente falando, nós temos diamantes no solo cristalino em toda a Angola. O solo cristalino compreende toda a parte interior do país, com exceção do litoral, em que temos as bacias do terciário cretáceo, onde aparecem as bacias petrolíferas. Mas no interior, o solo cristalino, que é mais antigo, tem muitas ocorrências kimberlíticas e aluvionares”, explicou.

“Isto significa que, a médio termo, e já existem agora alguns projetos espalhados por outras províncias, vamos ter de pensar em evoluir para aí. Claro que isso passa por uma série de trabalho científico que também tem de ser desenvolvido pelas empresas, porque é tudo baseado nisso. Mas há grandes possibilidades de evolução nas províncias do Bié, Cuando Cubando, Cunene”, acrescentou.

Sobre o leilão de sete pedras preciosas especiais em bruto realizado em fins de janeiro, que rendeu 16,7 milhões de dólares (14,5 milhões de euros), Fernando Amaral manifestou-se otimista em novas iniciativas idênticas, salientando que o mercado diamantífero angolano começa a ganhar cada vez maior credibilidade internacional.

“Temos de ser mais transparentes. Quanto mais transparentes, melhor, não temos nada a esconder. Queremos acima de tudo atrair investimento estrangeiro, porque quem produz quer vender”, referiu, indicando que o futuro, para já, não passa por mais operadores, mas sim pela otimização do que já existe.

“O mais importante para nós é a otimização da produção atual. […] Temos de ver como as minas estão a produzir, maior eficiência, temos de ver em termos orgânicos como estão as minas estruturadas e, além do mais, fazer novas descobertas, pôr novas minas a funcionar”, insistiu.

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