Saúde

Ativistas pedem preservativos gratuitos e acessíveis em escolas e prisões

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Apesar de já serem distribuídos preservativos em escolas, centros de saúde ou prisões, ativistas dizem que não é o suficiente e as barreiras ainda são muitas. Caixas automáticas são uma sugestão.

O diretor-executivo do Grupo de Ativistas em Tratamento quer eliminar a barreira de ter de se passar sempre por um intermediário para obter preservativos

ANTONIO COTRIM/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT) apelou esta terça-feira às autoridades para que os preservativos sejam disponibilizados gratuitamente e sem barreiras em todas as escolas, universidades, centros de saúde e prisões para evitar infeções sexualmente transmissíveis.

Apesar de já serem distribuídos alguns preservativos nestes locais, ainda não é suficiente, além dos entraves que existem no seu acesso, porque é sempre necessário passar por um intermediário para os obter, disse o diretor-executivo do GAT, Ricardo Fernandes, que falava à agência Lusa a propósito do Dia Internacional do Preservativo, que se assinala na quarta-feira.

Temos sempre de passar por pessoas para obter o preservativo. Nas escolas e noutros sítios temos de ir à psicóloga, nos centros de saúde temos de ir a uma consulta [de planeamento familiar]”, exemplificou Ricardo Fernandes

O que o GAT pretende é que “o preservativo esteja acessível às populações que dele necessitam em primeira mão, que não seja preciso intermediários”, sugerindo a sua distribuição em “caixas automáticas” nestes locais.

Segundo a organização, a utilização do preservativo tem vindo a diminuir nos últimos 10 anos, considerando que o problema não está tanto na falta de informação, mas no acesso ao preservativo como demonstra o estudo “Vida Sem SIDA”, da Universidade de Lisboa, segundo o qual cerca de 97% dos jovens estão bem informados relativamente à sua importância, mas mais de 60% assumem ter relações sem o seu uso.

Ricardo Fernandes adiantou que as populações vulneráveis sabem que o preservativo consegue controlar as infeções sexualmente transmissíveis, mas não o usam. “Muitas das vezes a razão porque não o usam, e as pessoas não questionam isso, é porque de facto não tem acesso a ele. O preservativo comprado continua a ser dispendioso e gratuitamente não é de fácil acesso”, sublinhou.

Para o diretor-executivo do GAT, não é compreensível que “em pleno século XXI” a maioria das escolas não tenha preservativos disponíveis para os jovens que estão a iniciar a sua vida sexual. “Às escolas juntam-se as prisões, onde também infelizmente o preservativo não existe ou não existe de uma forma de fácil acesso, as pessoas têm de pedir a alguém” para o obter.

Há anos que o GAT defende a criação de um programa ou um plano de prevenção para o VIH e para as doenças sexualmente transmissíveis que indique quais são as populações prioritárias e como se deve atuar em termos de prevenção.

“Hoje em dia a prevenção não é só o preservativo, temos a prevenção combinada, temos vários meios preventivos que as pessoas poderão usar em determinadas alturas da sua vida”, mas o preservativo é “o mais barato e é extremamente eficaz” na prevenção de infeções sexualmente transmissíveis.

Para ultrapassar a falta deste plano, uma situação que deve ser “colmatada com alguma urgência”, o GAT lançou no ano passado o projeto “LOVE Condom”, uma unidade móvel que disponibiliza preservativos em lugares estratégicos (grandes eventos como festivais, zonas de diversão noturna, zonas de trabalho sexual) e onde as infeções são mais prevalentes.

Num ano, foram distribuídos 1,5 milhões de preservativos, o que representa “uma grande conquista”, disse Ricardo Fernandes, adiantando que o objetivo é aumentar este número em 2019.

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