Rádio Observador

Saúde

Ativistas pedem preservativos gratuitos e acessíveis em escolas e prisões

405

Apesar de já serem distribuídos preservativos em escolas, centros de saúde ou prisões, ativistas dizem que não é o suficiente e as barreiras ainda são muitas. Caixas automáticas são uma sugestão.

O diretor-executivo do Grupo de Ativistas em Tratamento quer eliminar a barreira de ter de se passar sempre por um intermediário para obter preservativos

ANTONIO COTRIM/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT) apelou esta terça-feira às autoridades para que os preservativos sejam disponibilizados gratuitamente e sem barreiras em todas as escolas, universidades, centros de saúde e prisões para evitar infeções sexualmente transmissíveis.

Apesar de já serem distribuídos alguns preservativos nestes locais, ainda não é suficiente, além dos entraves que existem no seu acesso, porque é sempre necessário passar por um intermediário para os obter, disse o diretor-executivo do GAT, Ricardo Fernandes, que falava à agência Lusa a propósito do Dia Internacional do Preservativo, que se assinala na quarta-feira.

Temos sempre de passar por pessoas para obter o preservativo. Nas escolas e noutros sítios temos de ir à psicóloga, nos centros de saúde temos de ir a uma consulta [de planeamento familiar]”, exemplificou Ricardo Fernandes

O que o GAT pretende é que “o preservativo esteja acessível às populações que dele necessitam em primeira mão, que não seja preciso intermediários”, sugerindo a sua distribuição em “caixas automáticas” nestes locais.

Segundo a organização, a utilização do preservativo tem vindo a diminuir nos últimos 10 anos, considerando que o problema não está tanto na falta de informação, mas no acesso ao preservativo como demonstra o estudo “Vida Sem SIDA”, da Universidade de Lisboa, segundo o qual cerca de 97% dos jovens estão bem informados relativamente à sua importância, mas mais de 60% assumem ter relações sem o seu uso.

Ricardo Fernandes adiantou que as populações vulneráveis sabem que o preservativo consegue controlar as infeções sexualmente transmissíveis, mas não o usam. “Muitas das vezes a razão porque não o usam, e as pessoas não questionam isso, é porque de facto não tem acesso a ele. O preservativo comprado continua a ser dispendioso e gratuitamente não é de fácil acesso”, sublinhou.

Para o diretor-executivo do GAT, não é compreensível que “em pleno século XXI” a maioria das escolas não tenha preservativos disponíveis para os jovens que estão a iniciar a sua vida sexual. “Às escolas juntam-se as prisões, onde também infelizmente o preservativo não existe ou não existe de uma forma de fácil acesso, as pessoas têm de pedir a alguém” para o obter.

Há anos que o GAT defende a criação de um programa ou um plano de prevenção para o VIH e para as doenças sexualmente transmissíveis que indique quais são as populações prioritárias e como se deve atuar em termos de prevenção.

“Hoje em dia a prevenção não é só o preservativo, temos a prevenção combinada, temos vários meios preventivos que as pessoas poderão usar em determinadas alturas da sua vida”, mas o preservativo é “o mais barato e é extremamente eficaz” na prevenção de infeções sexualmente transmissíveis.

Para ultrapassar a falta deste plano, uma situação que deve ser “colmatada com alguma urgência”, o GAT lançou no ano passado o projeto “LOVE Condom”, uma unidade móvel que disponibiliza preservativos em lugares estratégicos (grandes eventos como festivais, zonas de diversão noturna, zonas de trabalho sexual) e onde as infeções são mais prevalentes.

Num ano, foram distribuídos 1,5 milhões de preservativos, o que representa “uma grande conquista”, disse Ricardo Fernandes, adiantando que o objetivo é aumentar este número em 2019.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)