O autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, anunciou esta quarta-feira que a assembleia da Venezuela designou um novo conselho de direção para a CITGO, a filial da PDVSA nos Estados Unidos da América, dando assim início ao que apelidou de “resgate” da petrolífera.

A nova direção será composta por Luisa Palacios, Angel Olmeta, Edgar Rincón, Luis Urdaneta, Andrés Padilla e Rick Esser, um grupo de “venezuelanos capazes, livres de corrupção e sem filiação partidária”, anunciou Guaidó no Twitter. Luisa Palacios é a primeira mulher “a ocupar um cargo esta natureza”, apontou ainda o líder da oposição venezuelana, que já foi reconhecido como presidente interino por mais de uma dezena de países.

De acordo com Guaidó, “esta decisão” irá permitir à Venezuela proteger os ativos da CITGO mas também “evitar que a destruição”desta e que o país perca a empresa com sede em Houston, no estado do Texas. O líder da oposição não detalhou, contudo, o que irá acontecer ao antigo conselho de direção, nomeado pelo governo de Nicólas Maduro e agora afastado.

A PDVSA exporta para os Estados Unidos da América cerca de metade de sua produção de petróleo, que financia 96% do orçamento da Venezuela, segundo a France-Presse. A filial norte-americana foi criada em 1910 e opera atualmente em 48 terminais, empregando mais de três mil funcionários. A sua rede é composta por mais de cinco mil postos de gasolina.

Apesar de ser detida a 100% pelo governo venezuelano, a CITGO tem servido como ponto de disputa com os Estados Unidos. Depois de o governo de Donald Trump ter reconhecido Guaidó como presidente interino em janeiro, os norte-americanos aplicaram duras sanções à Venezuela para bloquear o acesso de Maduro às receitas petrolíferas. Isso levou a que, recentemente, a PDSVA pedisse aos seus clientes que depositassem os pagamentos numa conta aberta num banco russo.

Esta quarta-feira, antes do anúncio de Guaidó, foi noticiado que a Bulgária bloqueou, a pedido dos Estados Unidos, vários “milhões de euros” de transferências feitas pela companhia petrolífera venezuelana através do país, em violação das sanções norte-americanas. Eric Rubin, embaixador dos Estados Unidos na Bulgária, explicou que o “objetivo é garantir que a riqueza do povo venezuelano não seja roubada”em favor do regime de Maduro.