A revista masculina norte-americana Esquire escolheu abordar o tema da era das redes sociais, tiroteios nas escolas, masculinidade tóxica, e de um país dividido, a partir da perspetiva de Ryan Morgan: um rapaz branco de 17 anos, da classe média, do estado do Wisconsin. E as críticas explodiram. Porquê?  Porque fevereiro é o mês da História Negra da América, e é por isso que a capa está a gerar polémica nas redes sociais. Isto apesar de o editor da Esquire, Jay Fielden, ter revelado que esta é a primeira capa de uma série de outras histórias que vão refletir a perspetiva de brancos, negros, mulheres e da comunidade LGBTQ sobre os Estados Unidos.

Num artigo que acompanha esta edição da revista, citado pelo The Guardian,  Jay Fielden afirma que pediu a Jennifer Percy, a autora, que ”olhasse para um país dividido pelos olhos de um adolescente”. Ryan diz que é moderado no que toca à sua posição política e que também tem algumas ideias conservadoras, o que lhe valeu alguns comentários negativos na escola. ”Toda a gente me odeia por eu apoiar Trump…Eu não podia debater com ninguém sem me chamarem nomes. O que é que eu fiz de errado?”, desabafou o rapaz à Esquire.

Mas não são as opiniões do jovem que estão a suscitar a indignação de muitas pessoas no Twitter. Os tweets referem-se principalmente, com alguma ironia, à questão da supremacia e privilégio dos homens brancos.

Abigail Collazo, por exemplo escreveu que o relevante não é ”se existe um artigo sobre rapazes brancos e privilegiados precisarem de reaprender sobre masculinidade”, mas sim ”se está na capa da Esquire no mês da História Negra da América”.

Jemele Hill, jornalista de desporto, mostrou a sua inconformidade através da ironia: ”Sabem o que é que nós não discutimos o suficiente? A perspetiva de homens brancos”.

E o escritor Chuck Wending escreveu que quando viu a capa, pensou que fosse ”uma piada”. E acrescentou que a ”Esquire não sabe ler” aquilo que está a acontecer no mundo.