Instituto Nacional Estatística

Economia portuguesa terá crescido 2,1%, abaixo dos 2,3% previstos pelo Governo, estimam economistas

O INE divulga esta quinta-feira a estimativa rápida das contas nacionais. O PIB terá subido 0,7 pontos percentuais, abaixo da expansão de 2,8% de 2017, segundo economistas ouvidos pela Lusa.

O economista do ISEG acrescentou que o contributo da procura externa líquida para o crescimento do PIB foi mais negativo, com as exportações a crescerem menos

MARIO CRUZ/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O Instituto Nacional de Estatística divulga esta quinta-feira a estimativa rápida das contas nacionais no conjunto de 2018, com os economistas sondados pela Lusa a anteciparem que a economia tenha crescido 2,1%, abaixo dos 2,3% previstos pelo Governo.

O Produto Interno Bruto (PIB) deve ter crescido 2,1% em 2018, de acordo com a média das previsões dos economistas consultados pela Lusa, 0,7 pontos percentuais abaixo da expansão de 2,8% verificada em 2017.

Considerando os últimos três meses de 2018, a economia deverá ter crescido 1,7% em termos homólogos, ou seja, em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, e 0,4% em cadeia, isto é, face aos três meses anteriores.

Os últimos dados do INE relativos ao terceiro trimestre de 2018 revelaram que a economia portuguesa cresceu 2,1% entre julho e setembro, em termos homólogos, e 0,3%, face ao segundo trimestre.

As previsões mais otimistas entre os economistas sondados pela Lusa são do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa (ISEG), que espera um crescimento de 2,0% do PIB nos últimos três meses de 2018 em termos homólogos, e uma expansão de 0,7% face ao trimestre anterior, “prosseguindo a tendência de desaceleração moderada no crescimento homólogo da economia”, como indicou António Ascensão Costa, professor da instituição.

“A confirmar-se este resultado, a economia portuguesa terá crescido 2,2%, em volume, durante o ano de 2018. Trata-se de uma desaceleração com algum significado (acima do meio ponto percentual) em relação ao crescimento registado em 2017 [de 2,8%], e que se pode considerar relacionada com a desaceleração no crescimento europeu e mundial. Contudo, a taxa de crescimento de 2018 superou a da zona euro, tal como no ano anterior”, frisou o economista do ISEG, acrescentando que as causas diretas para esta desaceleração do crescimento em 2018 são internas e externas.

“Em relação às principais componentes da procura interna, regista-se, como fator principal, uma desaceleração no crescimento do investimento em relação a 2017 (um corte em cerca de um terço face ao crescimento de 9,2% em 2017). Nas restantes componentes da procura interna o crescimento do consumo privado em 2018 terá sido semelhante ao de 2017 e o crescimento do consumo público ligeiramente superior”, explicou António Ascensão Costa.

O economista do ISEG acrescentou que o contributo da procura externa líquida para o crescimento do PIB foi mais negativo, com as exportações a crescerem menos, assim como as importações, “mas alargou-se a diferença das taxas de crescimento favorável às importações”.

“No global aprofundou-se o saldo negativo na componente de bens e cresceu mais lentamente o saldo positivo real da componente de serviços. Provavelmente, a menor dinâmica no comércio externo também contribuiu para o menor crescimento do investimento”, adiantou António Ascensão Costa.

O BPI espera, por seu turno, um crescimento do PIB de 1,8% no quarto trimestre em termos homólogos, e uma expansão de 0,5% em comparação com o trimestre anterior, antecipando uma expansão de 2,1% para o conjunto de 2018.

Paula Carvalho, economista-chefe do BPI indica, contudo, que “há alguns riscos de que a leitura seja ligeiramente menos positiva, dado o efeito das greves dos portos nas exportações nos últimos meses do ano, mas não deverá pôr em causa a dinâmica global”.

Já o Santander antecipa para a evolução do PIB no quarto trimestre de 2018 uma “dinâmica de estagnação em cadeia, resultando numa desaceleração em termos homólogos em redor de 1,3%, e originando um crescimento anual de cerca 2,0%”, indicou Bruno Fernandes.

O economista do Santander explicou que “esta dinâmica resulta de um abrandamento do consumo privado, fruto da queda do consumo de bens duradouros, em particular associado ao setor automóvel”.

De acordo com Bruno Fernandes, em termos homólogos, o consumo privado deverá ter crescido 2,0% no quarto trimestre, resultando num crescimento anual em redor de 2,3%.

Já o investimento total deverá ter estagnado em cadeia, apesar de crescer em redor de 7,2% em termos homólogos, e, no conjunto de 2018, o investimento deverá ter crescido cerca de 5,5%.

“Do lado da procura externa, prevemos que as exportações e importações tenham caído em cadeia, com estas últimas a poderem registar uma queda menos acentuada. A dinâmica negativa das exportações poderá ser explicada por um conjunto de efeitos pontuais, nomeadamente os associados às greves no Porto de Setúbal”, explicou também o economista do Santander, adiantando que a instituição mantém as projeções de crescimento para 2019, em redor de 2,0%, “suportado por uma recuperação no primeiro trimestre, com a dissipação dos fatores pontuais observados no quarto trimestre de 2018”.

A previsão do Governo de uma expansão de 2,3% do PIB no conjunto de 2018 é mais otimista que a previsão da Comissão Europeia, de 2,1%, e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), de 2,2%.

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