A aposta do Benfica na formação, teorizada por Luís Filipe Vieira e colocada em prática agora com mais enfoque desde que Bruno Lage assumiu o comando da equipa (embora Rui Vitória tenha também lançado elementos como Rúben Dias, Gedson Fernandes ou João Félix, neste caso mais vezes como suplente do que opção inicial), teve esta noite na Turquia uma das suas expressões máximas. Logo à cabeça, pelos seis jogadores feitos no clube que iniciaram o encontro (três em estreia); depois, por se tratar de um encontro para as competições europeias – e logo com uma vitória no final, a primeira dos encarnados em solo turco em oito encontros. Por tudo isso, os mais novos acabaram por ter o maior destaque no pós-jogo.

“Senti-me muito confortável, os colegas receberam-me bem. Senti-me como se estivesse na equipa B. Estamaos contentes pela vitória mas não exaltados. Temos a segunda mão, com um adversário com muita competência”, começou por referir na zona de flash interview Florentino Luís, médio que fez a estreia como titular (no segundo jogo pela equipa A) e que foi o melhor em campo dos encarnados. “Aqui somos todos importantes mas o que interessa é que a equipa está forte. Titularidade? Tento trabalhar para ganhar o meu espaço e conseguir os objetivos. Os treinadores dizem que todos são importantes e isso só dá mais força à equipa”, acrescentou o médio campeão europeu de Sub-17 e Sub-19 que chegou ao clube ainda nos infantis.

“Foi uma vitória fora a agora temos de continuar a trabalhar”, começou por referir Gedson Fernandes, médio que voltou esta noite ao onze, primeiro em dupla com Florentino Luís no centro e depois mais encostado à direita. “Jogar aqui é sempre complicado para qualquer equipa. Temos muita qualidade, seja com jogadores da formação ou da equipa principal. Somos só um, o Benfica. Temos muitos jogadores, trabalhamos todos. Jogamos sempre com o objetivo de ganhar”, completou.

“Jogou-se a primeira parte do jogo e estamos a ganhar, agora há a segunda parte em nossa casa e há que manter o foco. Nesta equipa não há mais novos ou mais velhos, há jogadores com capacidade e ponto final. Hoje jogaram elementos que não tinham jogado tanto e deram uma boa resposta. Ter sido capitão? Senti-me feliz por usar a braçadeira, traz mais responsabilidade, mas missão é a mesma, de ajudar a equipa. Todas as vitórias são especiais, seja com quem for. Trabalhar sobre vitórias dá outro alento, estamos contentes com a nossa identidade”, salientou Rúben Dias, que foi capitão após a saída de Salvio.

“A estreia a ganhar na Turquia? Foi um marco importante para o clube e para a minha carreira, ainda mais importante por ser eliminatória e estarmos em vantagem. Entendemos que este era o melhor onze para jogar aqui e definimos a estratégia. Estamos satisfeitos pela vitória. Temos de contar com todos”, destacou Bruno Lage, abordando depois a utilização de seis jogadores da formação do clube: “A questão é não colocar os jogadores a grande distância uns dos outros. Tem sido a nossa mentalidade, aproximá-los. Todos têm de correr, de trabalhar, de jogar em equipa. Todos têm tido as suas oportunidades, estamos satisfeitos com todos. Estou orgulhoso de ver estes miúdos a jogar”.

Se foi um risco? Fiz o que senti. Pelo que tenho visto nos treinos, pelo nosso dia a dia, pela gestão do plantel em meses carregados de jogos. Se tivesse corrido mal era um risco, correndo bem acertámos. Depois, é fácil de analisar. Correu bem. Não mudava nada”, acrescentou o técnico do Benfica.

“Estamos a jogar de três em três dias. Tivemos uma semana para treinar e todos têm de provar que podem jogar para depois mereceram as oportunidades. Estou satisfeito com o rendimento dos que jogam e sei que alguns ainda não tiveram oportunidade. Há concorrência na equipa. Conto de fadas continua? Continua amanhã, com mais um treino. Essa é a nossa forma de estar, com as coisas a correrem bem. É isto: tomar decisões, avaliar, decidir e ir para o jogo seguinte”, concluiu.