“Todos Sabem”

Laura (Penélope Cruz) é uma espanhola que vive na Argentina com o marido Alejandro (Ricardo Darín), a filha adolescente e o filho pequeno, e regressa com estes dois à sua vila natal, para assistir ao casamento de uma das irmãs, reencontrando Paco (Javier Bardem), seu antigo namorado e proprietário de terras e vinhas que foram da família dela. Quando a filha de Laura é raptada em plena noite da boda e pedem por ela um resgate milionário, começam a vir ao de cima, pouco a pouco, ressentimentos, recriminações e azedumes pessoais, familiares e sociais, bem como segredos antigos. Filmado em Espanha pelo oscarizado iraniano Asghar Farhadi (“Uma Separação”, “O Vendedor”), “Todos Sabem” tem uma construção semelhante a um filme mais antigo do realizador, “About Elly” (2009). E embora se apresente à superfície como um “thriller”, é na realidade, mais uma história em que Farhadi se esmera a descrever, desmontar  e expor os complexos, contraditórios e pungentes mecanismos das relações e dos conflitos humanos.

“Alita: Anjo de Combate”

James Cameron nunca conseguiu, como queria, realizar esta adaptação da série de “manga” do japonês Yukito Kishiro, por isso entregou o filme a Robert Rodriguez, assinando o argumento com este e com Laeta Kalogridis, e assegurando a produção. Passado num futuro distópico, após uma guerra entre a Terra e as repúblicas da sua colónia marciana que arrasou o nosso planeta, “Alita: Anjo de Combate” tem como heroína a ciborgue do título, com corpo de adolescente e olhos arregalados de personagem de desenho animado, interpretado pela trintona Rosa Salazar toda modificada pelos efeitos digitais. Depois de ser resgatada à sucata e reconstruída pelo bondoso Dr. Ido (Christoph Waltz), Alita descobre que é na realidade uma arma de guerra topo de gama, a última do seu tipo. “Ailta: Anjo de Combate” está visualmente muito bem concebido, embora se fique praticamente por colecionar clichés da ficção científica “cyberpunk” e sequências de ação repetitivas, e esteja apontado aos adolescentes consumidores de jogos de vídeo e “comics”.

“Vice”

Com vinte quilos a mais e e transfigurado por técnicas de maquilhagem e efeitos digitais, Christian Bale interpreta o antigo vice-presidente dos EUA Dick Cheney, neste filme biográfico assinado por Adam McKay, o realizador de “A Queda de Wall Street” (2015), e candidato a oito Óscares. O filme conta, sempre a andar para a frente e para trás, e com grande “parti pris” político-ideológico, a vida de Cheney desde a juventude irresponsável, que o levou a deixar os estudos universitários e a ir trabalhar a colocar linhas de alta tensão. Até ter entrado nos eixos por influência da mulher Lynne e iniciado um percurso no poder alimentado por uma insaciável ambição, grande capacidade de trabalho e movimentação nos bastidores, e uma fina astúcia, que o conduziu de estagiário no Congresso a importantes cargos nas administrações de Gerald Ford e George Bush. E depois, durante os anos Clinton, ao sector privado no gigante petrolífero Halliburton, antes do regresso à Casa Branca com George W. Bush. Também com Amy Adams em Lynne Cheney, Sam Rockwell, Steve Carell e Tyler Perry. “Vice” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.