A chegada de Cristiano Ronaldo à Juventus, milhões e mediatismo à parte, transformou no plano desportivo a cabeça de Allegri numa espécie de calculadora de probabilidades. Pela forma como a equipa estava montada, o match com Mandzukic era uma certeza, fosse em 4x4x2 com ambos na frente, fosse em 4x3x3 com o português a começar na esquerda. Depois, havia Cuadrado, Douglas Costa e Bernardeschi, com quem poderia haver mais ou menos química. Por fim, Paulo Dybala, a figura mais carismática entre os adeptos da Vecchia Signora. Pelas características do número 10, era um desafio. E começou a correr bem.

Nos primeiros 14 encontros oficiais da temporada, até ao início de novembro, os bianconeri somaram 13 triunfos e um empate entre Serie A e Liga dos Campeões. Ronaldo jogou e foi titular 13 vezes, marcando sete golos; o argentino esteve em 12, dez de início, e marcou seis golos. Em Itália, a imprensa falava num Dybala “Ronaldizado”, inspirado pela capacidade de trabalho do antigo dianteiro do Real Madrid e motivado pela boa relação que foram criando dentro e fora de campo. Depois, houve a quebra do sul-americano, que começou os últimos dois jogos no banco (Parma e Sassuolo), e a melhoria do internacional português, que foi subindo, subindo, subindo até alcançar o topo da lista dos melhores marcadores do Campeonato.

No último encontro, Ronaldo apontou o segundo golo ao Sassuolo e celebrou com o gesto da máscara de Dybala, algo que chegou a ser visto até como uma “mensagem” para Allegri mas que ficou como uma forma de apoio e alento ao esquerdino. “É claro que Ronaldo e Dybala podem jogar juntos e isso irá acontecer mas precisamos que todos trabalhem muito para que a equipa esteja equilibrada. Tudo depende da equipa que vamos defrontar, se pressionarem muito temos de ir à volta, se deixarem espaços temos de jogar entre linhas”, assegurou o técnico da Juventus, quase “confirmando” o regresso do número 10 à equipa inicial na receção ao Frosinone que foi antecipada para esta sexta-feira por causa do jogo na Liga dos Campeões com o Atl. Madrid.

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O “Ronaldybala”, a nova forma de festejar de Ronaldo e Dybala que aconteceu esta noite em duas ocasiões (Tullio M. Puglia/Getty Images)

Foram necessários apenas seis minutos para provar como a Jóia voltou bem mais brilhante depois da passagem pelo banco, com o argentino a fazer um golo de bandeira a inaugurar o marcador: Ronaldo recebeu a bola descaído na direita, quando ameaçou fintar atraiu dois adversários, assistiu ao lado Dybala e o esquerdino puxou o pé atrás para um remate ao ângulo superior da baliza de Sportiello sem hipóteses para o guarda-redes contrário, celebrando como o português num misto entre aquele salto “Siiiiiiii” e o gesto da máscara. Mais uns minutos, mais um golo: canto na direita do ataque, desvio de Ronaldo ao primeiro poste, remate de Mandzukic a ser ainda defendido mas recarga vitoriosa de Bonucci na pequena área para o 2-0 (17′).

Ronaldo tentava sobretudo de bola parada, com o primeiro livre que testou a sair à figura de Sportiello (9′) e o segundo a passar ligeiramente por cima da baliza do Frosinone (38′), tendo havido ainda uma outra incursão do português sem sucesso (25′). Do lado dos visitantes, que partiam para esta ronda como penúltimos classificados, perigo só mesmo de bola parada, sobretudo num livre direto em período de descontos antes do intervalo bem apontado por Ciano a rasar o poste.

Na segunda parte, a dupla Ronaldo-Dybala voltou a estar ativa mas só mesmo nos festejos é que conseguiriam celebrar juntos: já depois de um lance em que o argentino cruzou bem da direita mas a defesa do Frosinone tirou antes do português dar o último toque para a baliza (52′), foi Mandzukic a fazer um passe atrasado para o remate na passada do número 7 a fazer o 3-0 aos 63′, um minuto antes de ser substituído por Bernardeschi e começar a descansar mais cedo para o próximo embate da Juve em Madrid com o Atlético na quarta-feira depois de ter conseguido, apenas pela segunda vez na carreira, um golo e uma assistência em três jornadas consecutivas. Um descanso que, por este andar, pode ser aproveitado mais vezes: com mais um jogo, os campeões têm 14 pontos de avanço do Nápoles, o melhor ataque (52 golos marcados) e a defesa menos batida (15 golos sofridos).