O BE considerou esta segunda-feira que a remodelação do Governo surge apenas para resolver a questão da lista do PS às eleições e não para “corresponder a alguma alteração política” ou “responder a problemas políticos dentro do executivo”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deu esta segunda-feira posse a três novos ministros, que assumiram as pastas das Infraestruturas e Habitação, da Presidência e do Planeamento, e a quatro secretários de Estado, reconduzindo outros quatro.

“Olhamos para esta remodelação como ela é: surge para responder a uma apresentação de uma candidatura às europeias, não para corresponder a alguma alteração política ou para responder a problemas políticos dentro do executivo e por isso desse ponto de vista é uma remodelação governamental para responder a uma lista às europeias”, defendeu, em declarações à agência Lusa, o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares.

Dos novos membros do Governo e das alterações dentro do Governo, o BE desejava que “houvesse de facto motivações também para corrigir algumas das questões políticas em cima da mesa”, particularmente a necessidade de valorizar o investimento público.

Questionado sobre a mudança do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Filipe Soares desvalorizou esta questão, uma vez que “mais importantes do que as pessoas são ideias e as políticas que as pessoas estão a representar”.

“Nós lidámos bem com o secretário de Estado Pedro Nuno Santos, lidaremos de forma igualmente bem com outros secretários de Estado para cumprir as mesmas funções”, assegurou.

Para o líder parlamentar bloquista, o importante é que “haja a possibilidade de ir mais além e resolver alguns dos problemas que estão em cima da mesa como a Lei de Bases de Saúde ou as questões relacionadas com o código laboral.

“Um Governo é mais do que a soma de ministros, o Governo é um programa, são ideias, são políticas”, insistiu.

Sobre a escolha do agora ex-ministro Pedro Marques como cabeça de lista do PS às eleições europeias — decisão que motivou esta remodelação — Pedro Filipe Soares apontou apenas que estranho seria haver “ministros em plena campanha eleitoral, a utilizar a sua posição sendo ao mesmo tempo candidato de uma determinada lista”.

“Desse ponto de vista acaba por haver aqui uma separação de funções que é aceitável nos termos democráticos”, disse apenas.

Relativamente às escolhas “sobre quem é apresentado como cabeça de lista ou quem participa numa lista eleitoral cabe aos partidos, não há aqui qualquer limitação do ponto de vista das pessoas poderem ou não estar presentes pelas suas funções governamentais”.

“Nessa lógica não temos que comentar da normalidade ou anormalidade da indicação do ministro Pedro Marques ou de outros ministros para as listas europeias, apenas e só de gerir e de lidar no contexto atual do nosso relacionamento com o Governo dos dossiês pendentes”, respondeu.