O grupo chinês Hainan Airlines (HNA) tem há uma semana uma participação indireta de 9% na TAP, depois de reforçar para 20% a sua posição na Atlantic Gateway — a holding que detém 45% da TAP, noticia o Jornal de Negócios na sua edição desta segunda-feira. O reforço tinha sido acordado contratualmente com Humberto Pedrosa e David Neeleman e já estava previsto desde 2017. Até aqui, a HNA detinha 12% da Atlantic Gateway, depois de um outro reforço efetuado há pouco mais de um ano, recorda o Público.

Ao Público, o empresário português Humberto Pedrosa explicou que este reforço “estava previsto desde o início” da entrada da HNA no capital da Atlantic Gateway “para assim poder consolidar nas suas contas”. “Esta era a última fatia que faltava concretizar contratualmente”, acrescentou.

A HNA começou por comprar parte do consórcio que detém 45% da TAP, e que pertencia a Pedrosa e Neeleman, ainda em 2017,  na sequência da privatização da TAP feita pelo anterior Governo PSD/CDS —  e alterada já por António Costa, que quis garantir 50% da TAP nas mãos do Estado, com os outros 5% a serem detidos por alguns trabalhadores na sequência da OPV (Oferta Pública de Venda).

O Jornal de Negócios explica que o grupo chinês está a atravessar dificuldades financeiras e uma crise de liquidez que, no último ano, o levou a vender mais de 15 mil milhões de euros em ativos. Segundo o Financial Times este domingo, após uma vaga de aquisições no estrangeiro que bateu os 40 mil milhões de dólares, com forte recurso a empréstimos bancários, a HNA tem tentado ao longo do último ano evitar que as dívidas de cerca de 100 mil milhões de dólares que acumulou engulam o grupo. Num futuro próximo, a HNA poderá optar por renegociar a sua posição na Atlantic Gateway — sendo que Pedrosa e Neeleman terão direito de preferência sobre a compra. Ainda assim este é um negócio pouco representativo no universo do grupo chinês.

Fernando Pinto: “Foram 15 anos de sobrevivência” até à privatização da TAP