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Eleições

Nigéria. Presidente exige tratamento “sem piedade” de tentativas de fraude nas eleições

Muhammadu Buhari quer tratamento sem piedade a tentativas de fraude nas eleições gerais, adiadas uma semana. Adiamento aconteceu a poucas horas da abertura das urnas no passado sábado.

"Esse será provavelmente o último ato criminoso que ele [quem quer que tente defraudar as eleições] cometerá", disse o Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari

TIFE OWOLABI/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, apelou esta segunda-feira às forças armadas do país a tratarem “sem piedade” quem tentar defraudar as eleições, adiadas in extremis uma semana no sábado passado.

“Dei já ordem à polícia e às forças armadas para não terem piedade. Não nos vamos responsabilizar (…) por todos os que quiserem roubar as urnas ou utilizarem criminosos para perturbar o escrutínio”, afirmou o chefe de Estado, citado pela agência France Press, no decurso de uma reunião com o seu partido, filmada pela televisão nacional.

“Esse será provavelmente o último ato criminoso que ele [quem quer que tente defraudar as eleições] cometerá”, sublinhou o antigo general, que concorre à renovação do mandato presidencial para o qual foi eleito em 2015, regressando na altura ao poder na Nigéria depois de ter liderado o país em 1983, no período das ditaduras.

A comissão eleitoral nigeriana (INEC) adiou as eleições gerais previstas para o passado sábado para o próximo dia 23, quando faltavam poucas horas para a abertura das urnas, argumentando que enfrentava problemas logísticos graves. Os dois principais partidos, o Congresso dos Progressistas (no poder) e o Partido Popular Democrático (PDP, oposição), acusam-se mutuamente de “sabotagem” do escrutínio.

“Depois das eleições, vamos ter que saber o que aconteceu mesmo”, disse Buhari. “A comissão [eleitoral] terá que nos explicar porque é que não conseguiu organizar este escrutínio” e “temos que encontrar um culpado”, acrescentou.

Esta não foi a primeira vez que uma eleição foi adiada na Nigéria, desde o fim das ditaduras militares em 1999. Em 2011, as eleições gerais foram adiadas por duas vezes, uma delas quando as votações tinham já começado, com o presidente da comissão eleitoral a evocar então uma situação de “urgência” relacionada com o facto de muitas estações de voto se encontrarem sem material eleitoral. O país foi na altura palco de violências pós-eleitorais entre cristãos e muçulmanos que provocaram mais de mil mortos.

Em 2015, o governo do então Presidente Goodluck Jonathan adiou também o escrutínio por seis semanas, justificando a decisão com problemas de segurança no nordeste do país, relacionados com perturbações provocadas pelo grupo rebelde jihadista do Boko Haram.

“Em face da tendência reiterada de adiamento das eleições, consequência de décadas de corrupção e de incompetência, o SERAP [Socio-Economic Rights and Accountability Project, uma respeitada organização não-governamental nigeriana] decidiu processar o governo e a Assembleia Nacional após a realização das eleições”, afirmou a ONG através de um comunicado divulgado no domingo.

“Exigir a demissão do presidente da INEC, em vez de atacar as raízes do problema, é uma desculpa demasiado fácil que desobriga [os verdadeiros responsáveis] de quaisquer responsabilidades”, denunciou a instituição liderada pelo advogado dos direitos humanos, Femi Falana.

Nigéria faz contas ao adiamento das eleições

Os motores da campanha voltam a ligar-se depois do adiamento inesperado das eleições gerais na Nigéria a poucas horas da abertura das urnas no passado sábado, e que poderá custar ao país milhares de milhões de dólares.

Num país marcado por elevadas taxas de desemprego e pela pobreza extrema, onde as deslocações representam sacrifícios para muitos, centenas de milhares de pessoas viajaram das cidades onde moram para votar nas regiões de origem ou onde se encontram inscritas nos recenseamentos eleitorais.

A maior parte das empresas nigerianas, incluindo o porto de Lagos, importante porta de entrada de bens de primeira necessidade num país de 190 milhões de habitantes, primeira economia do continente africano, encerraram na sexta-feira para permitir aos seus funcionários a deslocação para votar. Os aeroportos e as fronteiras terrestres foram também encerrados.

Os custos deste adiamento são inimagináveis. A economia parou parcialmente na sexta-feira e completamente no sábado“, afirmou à publicação nigeriana “Sunday Vanguard” o diretor da Câmara de Comércio e Indústria de Lagos, Muda Yusuf, que estima perdas financeiras na ordem dos 1,5 mil milhões de dólares (1,32 mil milhões de euros).

Mas “o que custará ainda mais caro será o que isto pesará na reputação” do país, estima o economista Bismark Rewane a uma outra publicação nigeriana, o “ThisDay”, elevando o custo do adiamento das eleições para entre 9 e 10 mil milhões de dólares (7,9 a 8,8 mil milhões de euros), na ordem dos 2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) nigeriano, a longo prazo.

A INEC deslocou um milhão de agentes em todo o país e imprimiu 421 milhões de boletins de voto.

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