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Os adultos que jogam como miúdos para os mais novos subirem a montanha (a crónica do Desp. Aves-Benfica)

Este artigo tem mais de 2 anos

Elogiar a maturidade dos miúdos do Benfica virou moda. Faz sentido. Mas a vitória na Vila das Aves (3-0), como as outras, teve grande cunho dos adultos. Os mesmos adultos que agora jogam como jovens.

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Jogadores do Benfica celebram terceiro golo de Ferro, que sentenciou em definitivo o encontro na Vila das Aves

LUSA

Jogadores do Benfica celebram terceiro golo de Ferro, que sentenciou em definitivo o encontro na Vila das Aves

LUSA

A pergunta tornou-se quase uma questão da praxe em conferências de imprensa de Bruno Lage, a resposta desta vez esvaziou qualquer hipótese de haver insistência. “Está convocado e estou muito satisfeito com isso. Vejo um jovem a recuperar bolas, a marcar golos e a divertir-se. E o mais importante é ir feliz para casa”. O jovem chama-se Jonas. O jovem tem 34 anos, a um mês e meio de fazer 35. O jovem, que era um elemento fundamental tantas vezes a dar respostas às perguntas que o jogo ia levantando, encontra-se agora num patamar diferente, sem lugar nas opções iniciais e sentado no banco de suplentes. Ainda assim, merece os elogios do técnico encarnado. Também ele, tal como outros mais experientes, justifica o bom momento do Benfica.

Benfica vence na Vila das Aves por 3-0 e volta a reduzir distância para o líder FC Porto

Muito se tem falado da juventude dos encarnados. Mais do que ter jogadores formados no clube na equipa, o que faz a diferença é a forma como entram, tomam conta da ocorrência e saem como se fosse a coisa mais natural do mundo. No entanto, como em qualquer conjunto de topo, nem tudo se pode resumir a esse lançamento dos mais novos para deixarem em campo durante 90 minutos aquilo que lhes foi ensinado durante anos no Seixal. É certo que elementos como João Félix, Ruben Dias, Gedson Fernandes ou Florentino Luís (Ferro não chegou ao ponto a que irá chegar mantendo a atual trajetória e que já mostrou, mesmo somando dois golos) são miúdos que jogam como adultos, mas também os adultos estão a jogar como miúdos.

Quem se recorda da trajetória de Pizzi? Aquele jogador irreverente que dava nas vistas em esquemas de 4x3x3 como falso ala a sair da esquerda para o meio para fazer a diferença no remate – foi assim que já marcou um hat-trick no Dragão – e que quando chegou ao Benfica foi começando a pisar terrenos centrais com mais um ou dois médios? Hoje joga com um prazer que tem nos números o seu melhor reflexo (jogador com mais assistências do Campeonato, fora os golos marcados), numa posição de falso ala direito quase sempre a explorar o jogo por dentro e não a profundidade para respeitar as dinâmicas da equipa. E como o médio de 29 anos também há Samaris, da mesma idade, que andou na prateleira e voltou para ser peça principal ou Seferovic, de 26 anos, que marca como nunca a correr bem como sempre – mas, neste ciclo, correndo melhor do que corria.

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Ficha de jogo

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Desp. Aves-Benfica, 0-3

22.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do CD Aves, na Vila das Aves

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa)

Desp. Aves: Beunardeau; Rodrigo, Ponck, Diego Galo, Jorge Fellipe, Vítor Costa (Rúben Oliveira, 66′); Vítor Gomes (Miguel Tavares, 77′), Braga (Fariña, 66′); Mama Baldé, Luquinhas e Derley

Suplentes não utilizados: Szymonek, Rodrigo Defendi, Mato Milos e Diallo

Treinador: Augusto Inácio

Benfica: Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo; Samaris, Gabriel, Pizzi, Rafa (Gedson Fernandes, 77′); João Félix (Zivkovic, 86′) e Seferovic (Jonas, 83′)

Suplentes não utilizados: Svilar, Corchia, Cervi e Jonas

Treinador: Bruno Lage

Golos: Seferovic (3′), Rafa (36′) e Ferro (59′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Rúben Dias (56′), Diego Gala (71′), Samaris (71′) e André Almeida (89′); cartão vermelho direto a Ferro (64′)

Este também é o segredo do Benfica. Num momento em que virou “moda” elogiar a maturidade dos jogadores mais novos que os encarnados vão lançando com sucesso na equipa principal, o triunfo por 3-0 na Vila das Aves (sétimo consecutivo a contar para o Campeonato) provou que existem adultos que jogam como miúdos na vontade, na entrega e na disponibilidade para pisarem outras missões e terrenos dentro de uma ideia de jogo de sucesso. E é também por isso que Bruno Lage pode arriscar ir trocando jogadores na equipa por gestão – quem entra, com mais ou menos idade, sabe ao que vai, como vai e para onde vai. Como ilustra a fotografia desta crónica, para os mais novos como Félix subirem a montanha são necessários os mais velhos para servirem de suporte. E este foi mais um jogo onde, por mais do que uma vez, Pizzi apareceu a dar conselhos ao avançado.

No meio de tudo isto, existe uma dose de “estrelinha” a iluminar o por si só iluminado momento que o Benfica atravessa. Não está relacionado com essa coisa da sorte e do azar, que de vez em quando se fala no futebol mas que é sobretudo resultado de algo sem ponta de fortuito – mais uma vez, logo a abrir o encontro e no primeiro remate à baliza, Haris Seferovic conseguiu inaugurar o marcador na Vila das Aves, no seguimento de um passe longo de Samaris (que teve quatro ações ofensivas e 100% de eficácia de passe nos primeiros minutos) a explorar as costas da defesa com cinco unidades sem posse do Desp. Aves que o suíço parou no peito e, com muita classe, picou por cima do guarda-redes visitado Beunardeau (3′).

Ainda a avalanche ofensiva não tinha começado e já o Benfica estava na frente do marcador; quando a mesma arrancou a sério, perante a mobilidade atacante dos encarnados que se torna complicada de travar perante as opções e linhas de passe que se vão criando, foi por pouco que João Félix não aumentou a vantagem: primeiro acertou nas malhas laterais, num lance que começou com a exploração da velocidade de Rafa em profundidade antes do passe para o remate na passada (9′); depois viu Beunardeau fazer a primeira intervenção apertada, antes de duas tentativas de recarga que deixaram os avenses em apuros (15′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Desp. Aves-Benfica em vídeo]

O Benfica tinha uma boa reação à perda, que conseguia recuperar desde logo a bola ou dar tempo para que as linhas baixassem e ficassem mais compactas no processo defensivo, mas o Desp. Aves conseguiu reagir ao golo madrugador sofrido, com alguma capacidade para lançar ataques rápidos que pecavam apenas na aproximação à baliza. Vítor Costa, num livre lateral que em vez de ser batido para a área levou a direção da baliza, obrigou Vlachodimos a uma intervenção mais apertada (28′) antes do 2-0 que iria alterar o resto do encontro: após uma combinação que fez a bola passar pelos pés de Pizzi, Grimaldo e João Félix, Rafa recebeu na área, contornou bem um adversário e rematou colocado e em arco para o seu 11.º golo da temporada (36′). Rodrigo, de fora da área, ainda tentou reduzir antes do intervalo mas o grego voltou a defender da melhor forma a incursão avense (41′).

Augusto Inácio, não fazendo substituições ao intervalo, procurou mexer com a estrutura da equipa e posicionamentos de alguns jogadores para chegar ao golo que pudesse deixar de novo tudo em aberto até ao final. E sabia que a entrada em campo para o segundo tempo poderia ser determinante. Foi mesmo mas ao contrário das aspirações do Desp. Aves: depois de uma grande defesa de Beunardeau a mais um remate perigoso de João Félix (47′), a defesa avense ainda conseguiu tirar um golo feito a Seferovic após mais uma grande jogada coletiva dos encarnados (54′) mas nada conseguiu fazer quando na sequência de um canto o guarda-redes francês saiu mal à bola e, aproveitando a confusão na área, Ferro fez um chapéu para o 3-0 (59′).

Segundo jogo como titular no Campeonato, segundo golo do central, último jogador da formação a ser lançado com Florentino Luís. Com isso, Ferro tornou-se o defesa mais novo de sempre a marcar nos dois primeiros encontros pela equipa principal dos encarnados; cinco minutos depois, alcançou outro registo mas menos positivo: após carregar Derley quando o avançado ia para a baliza isolado, o central foi expulso e passou a ser o primeiro desde Carlos Manuel, num dérbi há 35 anos, a marcar e ser expulso com vermelho direto no mesmo jogo. Samaris recuou para central antes de Bruno Lage equilibrar a equipa com a entrada de Gedson Fernandes para o lugar do Rafa, Vlachodimos fez ainda duas defesas mais apertadas mas o Benfica conseguiu controlar sempre em inferioridade numérica, voltando a procurar o golo através de João Félix e Jonas nos últimos minutos.

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