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“Alucinei com a maneira de trabalhar do Cristiano”. Bonucci sobre o regresso à Juventus e a rejeição do Real Madrid

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Leo Bonucci, que voltou à Juventus no verão após uma temporada no AC Milan, deu uma entrevista onde falou sobre Cristiano Ronaldo e Buffon. E ainda confirmou que recusou uma proposta do Real Madrid.

O central italiano ainda era jogador do AC Milan quando Cristiano Ronaldo assinou pela Juventus

Getty Images

A surpresa rebentou a meio de julho de 2017. Leonardo Bonucci, central da Juventus e uma das grandes figuras do clube italiano, ia deixar Turim depois de sete temporadas com a camisola dos bianconeri e juntar-se ao AC Milan, um dos principais rivais. Pouco mais de um mês depois de chegar a Milão, assumiu a braçadeira de capitão e foi um dos líderes da equipa de Gennaro Gattuso que terminou a época na sexta posição da Serie A. Depois de uma temporada muito aquém do esperado — e após marcar à Juventus, que acabou por encerrar a série histórica de minutos sem sofrer golos de Gianluigi Buffon (292) –, Bonucci regressou a Turim em agosto de 2018 e restaurou o trio BBC, ao lado dos também italianos Barzagli e Chiellini.

Esta terça-feira, na antecâmara da estreia da Juventus nos oitavos de final da Liga dos Campeões (quarta-feira, com o Atl. Madrid, às 20h), Leo Bonucci deu uma entrevista ao jornal As e falou pela primeira vez sobre a decisão de voltar a Turim depois de apenas uma temporada ausente, a rejeição ao interesse do Real Madrid e ainda de Cristiano Ronaldo, que chegou a Itália quando o central ainda era jogador do AC Milan. O italiano, que tem estado lesionado e deve regressar aos relvados contra o Atl. Madrid, garante que tinha noção de que o regresso a Turim “iria causar polémica” mas decidiu arriscar — já que sabe “responder em campo” — para ajudar a equipa a conquistar o oitavo Scudetto consecutivo.

“Não é tão fácil como parece. O nível do futebol italiano melhorou. Vou ser sincero: houve uma altura em que a Juve estava muito acima de todos os outros. Jogavas contra o Nápoles, o Inter, o AC Milan e sentias que ias ganhar sem problemas — agora não é assim. Nos últimos dois, três anos, especialmente o Nápoles esteve muito perto. Também sofremos”, garante Bonucci, ainda que a Juventus tenha atualmente 13 pontos de vantagem para o segundo classificado, exatamente o Nápoles, de Carlo Ancelotti. O internacional italiano admite que a chegada de Cristiano Ronaldo tornou a Liga dos Campeões um objetivo palpável e fulcral — os italianos estiveram em duas finais nos últimos três anos, mas perderam — mas não esconde que a transferência do jogador português para Itália não lhe “pareceu bem”, já que nessa altura estava ainda num clube rival.

Em maio, enquanto capitão do AC Milan

“Se chega o Cristiano, o melhor do mundo, significa que o teu nível subiu. O nosso objetivo é ganhar a Champions, não podemos nem devemos esconder-nos. Quando chegou não me pareceu bem, porque eu ainda um rival, mas a verdade é que é bonito para o todo o futebol italiano. Se chega o melhor significa que a nossa Liga voltou a ser apetecível”, explica Bonucci, acrescentando ainda que as características que mais o surpreenderam em Cristiano Ronaldo foram a “consistência e a simplicidade”. “Chegou e colocou-se à disposição do grupo, tem sempre uma palavra de apoio para cada companheiro. Alucinei com a sua maneira de trabalhar: todos os dias, antes e depois do treino, vai para o ginásio. Eu faço o mesmo, mas há dias em que não dá para aguentar… ele aguenta sempre. É uma máquina, não pára. Só podes admirá-lo”, revela o central, que defende ainda que o português deveria ter vencido a Bola de Ouro, já que foi “determinante” para a conquista da terceira Liga dos Campeões consecutiva por parte do Real Madrid, mas que a vitória de Luka Modric no final do ano passado vai servir como “motivação” para ganhar a próxima.

O central foi colega de equipa de Gianluigi Buffon de 2010 a 2017

Bonucci confirmou ainda um rumor do mercado de transferências do passado verão: antes de se tornar oficial o regresso à Juventus, a imprensa desportiva espanhola dava como garantido o interesse do Real Madrid no central italiano. O defesa conta agora que recusou a proposta dos merengues mas acabou por decidir voltar a sentir-se “em casa”. “Sim, é verdade, o Real procurou-me. Foi um orgulho e um prazer estar nos objetivos deles, significa que trabalhei bem durante estes anos. Mas a chamada da Juventus e a vontade de voltar a sentir-me em casa levaram o meu coração a decidir que fico melhor de branco e preto”, explica Bonucci, acrescentando ainda que Antonio Conte seria o treinador ideal para o Real Madrid mas desde o início da temporada e não já com a época a decorrer, como quase aconteceu em outubro, quando Julen Lopetegui foi despedido do comando técnico dos blancos.

O central italiano falou ainda sobre o filho Matteo, que sofre de uma doença crónica que afastou Bonucci dos relvados durante várias semanas no início da temporada 2016/17, sobre o filho Lorenzo, adepto fervoroso do Torino, e a filha Matilda, recém-nascida. Sobre a possibilidade de defrontar Gianluigi Buffon — guarda-redes que teve nas costas durante todas as temporadas que jogou na Juventus e que no passado verão se mudou para o PSG –, nas próximas eliminatórias da Liga dos Campeões, Bonucci é muito direto: “Preferia que não. O Gigi é o número um no campo, mas antes de mais é um grande amigo. Cresci com ele, é estranho olhar para trás e não o ver”.

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