O príncipe Philip, marido da rainha Isabel, da casa real britânica, gosta de conduzir apesar de ter 97 anos e vários chauffeurs e veículos oficiais à sua disposição. Sucede que os súbditos de Sua Majestade não apreciaram que um membro da realeza coleccionasse acidentes de automóvel, sobretudo depois de, numa das últimas saídas, Philip ter embatido num Kia onde se deslocavam duas mulheres e um bebé. A criança escapou como que por milagre, mas as outras duas ocupantes foram parar ao hospital.

Ainda o Freelander do príncipe (que já não é produzido e é de longe o mais pequeno e barato dos Land Rover) não tinha chegado à oficina, depois de ter capotado na estrada, já a Land Rover estava a entregar uma unidade novinha em folha. Porém, era demasiado tarde. A polícia terá informado a casa real que teria de investigar o acidente e que o resultado apontava para uma decisão desfavorável a Philip, pelo que o duque de Edimburgo optou por “voluntariamente” entregar a carta de condução.

Agora, o Ministério Público informou que não seria do interesse público punir o condutor de 97 anos, que por mero acaso é casado com a Rainha e cuja “arte” ao volante provocou uma série de acidentes nos últimos tempos. “Tivemos em consideração as circunstâncias deste caso, incluindo o nível de culpabilidade, a idade do condutor e o facto de ele ter entregue a carta de condução”, justificou o procurador Chris Long, sem qualquer referência ao facto de Philip pertencer à realeza. O que promete criar algumas dificuldades no futuro, quando um outro condutor qualquer decidir entregar a carta a seguir a um acidente, invocando os mesmos argumentos.

Philip endereçou uma carta às vítimas do mais recente acidente – mas não dos anteriores –, pedindo desculpa e desejando uma rápida recuperação dos ferimentos por ele infligidos. Uma das vítimas, Fairwaether, foi isso mesmo (“fair”), e considerou tudo aquilo um “nice touch”, arrumando a questão com a entrega das duas cartas – a da desculpa e a de condução do príncipe.  Veja aqui a entrevista que ela deu à People, em que defendia que o tratamento de Philip, por parte da polícia, deveria ser idêntico ao de qualquer outro cidadão britânico: