Centro Cultural De Belém

História da Arquitetura Moderna mostra-se na Garagem Sul do Centro Cultural de Belém

A mostra consiste numa seleção de 15 filmes dos arquivos do Instituto para a História e Teoria da Arquitetura apresentada na Suíça em 2017 e que pode ser vista a partir desta terça-feira à tarde.

As duas exposições podem ser visitadas até 26 de maio

TIAGO PETINGA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Quinze filmes com arquitetos a falarem da sua obra, com os quais se traça a história da arquitetura moderna, constituem a mostra “Construções em movimento”, patente a partir desta terça-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

A mostra consiste numa seleção de 15 filmes dos arquivos do Instituto para a História e Teoria da Arquitetura (gta Institute/ETH Zurique), apresentada na Suíça, em 2017, por ocasião do 50.º aniversário do instituto, e que, a partir do final da tarde desta terça-feira, pode ser visitada na Garagem Sul do CCB.

Para o arquiteto e programador da Garagem Sul, André Tavares, a mostra é “particularmente interessante vista em conjunto”.

“Ao vermos vários arquitetos a falar sobre a sua obra, mesmo que não se entenda o que eles estão a dizer, só ver, por exemplo, Alfred Roth (1903-1998), Rudolf Olgiati (1910-1995), e Alberto Camenzind (1914-2004) a falarem, percebemos o contexto em que estão a falar”, observou, sublinhando que com estes filmes acaba por se ter “a história da arquitetura moderna”.

Perceber quais são “os interesses dos arquitetos, e ver a história em movimento já nos conta a história do que é a arquitetura moderna”, sublinhou.

Numa visita guiada para a imprensa, André Tavares explicou que em alguns dos filmes os visitantes têm oportunidade de encontrar instituições modernas célebres como os Congrès Internationaux de’Architecture Moderne (Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna, CIAM).

Entre os filmes está aquele que o secretário-geral do CIAM, o historiador e crítico de arquitetura suíço Sigfried Giedion (1888-1968) encomendou ao designer e fotógrafo Lázló Moholy-Nagy (1895-1946) sobre o congresso que os arquitetos modernos fizeram, em 1933, a bordo de um cruzeiro entre Marselha e Atenas, para discutir o futuro da arquitetura.

A sequência vai do arranque da arquitetura moderna até finais dos anos 1990, com a revisitação de filmes dos anos 1930, em particular de uma exposição de Chicago, e de alguns filmes que olham de novo para a arquitetura dos anos iniciais, mais uma vez do arquiteto suíço Hannes Meyer(1889-1954), o segundo diretor da Bauhaus, que sucedeu a Walter Gropius e antecedeu Mies van de Rohe, o terceiro e último diretor da decisiva escola de Dessau, fundada há cem anos.

Para André Tavares, a importância da exposição reside também no facto de mostrar que os arquivos de arquitetura moderna “contêm muito mais do que apenas desenhos, cartas ou maquetas”.

“Contêm arquitetura em movimento e construções em movimento”, observou, acrescentando que os arquitetos a falarem na primeira pessoa, a mostrarem as suas casas e os espaços onde trabalham “conta-nos muito sobre a maneira como vivemos, a maneira como construímos e a natureza dos próprios edifícios”.

A exposição tem curadoria de Andreas Kalpakci, Jacqueline Maurer e Daniela Ortiz dos Santos.

Em simultâneo com esta exposição, a Garagem Sul disponibiliza outra – “A universidade está no ar — Difundir a arquitetura moderna Reino Unido 1975/1982” – na qual se mostra a história do curso de História de Arquitetura e Design (A305) da Universidade Aberta, transmitido pela BBC entre 1975 e 1982.

Com curadoria do arquiteto Joaquim Moreno, a mostra “põe em contraste a narração histórica da arquitetura moderna do curso (A305) com o seu contexto nos anos 1970, num momento em que a própria arquitetura estava em grande transformação”, referiu o curador.

A mostra recria também a experiência partilhada, ainda que doméstica, de uma educação universitária porta-a-porta diretamente em casa e permite ter uma ideia da maquinaria, logística e infraestruturas necessárias para desenvolver este ensino inovador.

Joaquim Moreno sublinha nesta exposição fotográfica a alta definição da rádio, e a rádio sempre como era – “não era multissensorial e permitia comunicar de outra maneira, permitia que tivesse uma relação muito diferente dentro deste curso, porque a atenção da rádio sempre foi diferente”.

“Isto é um curso onde de repente havia pessoas que telefonavam e que tinham momentos na rádio [do tipo] ‘essa casa eu lembro'”, permitindo mostrar como “a alta definição da rádio” era utilizada “como uma rádio de verdade”.

“Não era a utilização da rádio com coisas que não pertenciam à rádio. Era a utilização da rádio enquanto instrumento preciso de comunicação de massas”, frisou.

As duas exposições podem ser visitadas até 26 de maio.

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