Economia

Produção de azeitona para azeite deve registar quebra de 20% nesta campanha

Campanha da azeitona será penalizada pelas condições meteorológicas adversas. Área de cereais de outono/inverno deverá diminuir 3%. Colheita da azeitona está com um atraso significativo na maturação.

A colheita da azeitona está praticamente terminada, sendo que o mau tempo

JOSÉ COELHO/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A produção de azeitona para azeite deverá registar este ano uma quebra de 20% face à campanha anterior, penalizada pelas condições meteorológicas adversas, enquanto a área de cereais de outono/inverno deverá diminuir 3%, prevê esta terça-feira o INE.

Segundo as previsões agrícolas do Instituto Nacional de Estatística (INE), a colheita da azeitona está “praticamente terminada, confirmando-se um atraso significativo na maturação face ao habitual, efeito das condições meteorológicas adversas, que ocasionaram um início de ciclo demorado e uma suspensão do amadurecimento dos frutos no período das ondas de calor de agosto”.

“Após uma campanha com um máximo histórico de produção, os olivais tradicionais de sequeiro apresentaram uma carga de frutos heterogénea, prevendo-se que globalmente se registe um decréscimo de 20% na produção de azeitona para azeite”, antecipa. “A funda (rendimento da azeitona em azeite) — acrescenta — aumentou com o decorrer da colheita, se bem que, previsivelmente, ficará abaixo da alcançada na última campanha”.

De acordo com o INE, apesar da “instalação significativa” de novos olivais intensivos e semi-intensivos, com maior controlo sanitário e fisiológico — o que permitiu que, desde 2009, a produção não tenha baixado das 400 mil toneladas — continua a ser “bem evidente” a alternância anual de produção na cultura de azeitona em Portugal, sendo que este é um ano de contrassafra (em que, por oposição a um ano de safra, a produção é baixa).

Quanto aos cereais de outono/inverno, e numa altura em que as sementeiras foram concluídas “sem contratempos”, o instituto nota que, “apesar das condições meteorológicas favoráveis”, se prevê um decréscimo de 3% na área instalada face a 2018, sobretudo devido às reduções de 5% das superfícies de trigo mole, triticale e cevada e da quebra de 10% de trigo duro. Já no centeio e na cevada, as previsões apontam para a manutenção da área.

Conforme nota o INE, este decréscimo global da área de cereais de inverno “mantém a tendência observada nos últimos seis anos”, destacando-se esta campanha “como a que regista menor área desde a adesão de Portugal à União Europeia (cerca de 1/8 da área observada em 1986)”.

No que respeita à aveia, que é um cereal mais precoce, as previsões apontam para a manutenção dos níveis de produtividade alcançados na campanha anterior (8% acima da média do último quinquénio).

Quanto às pastagens e forragens, viram o respetivo desenvolvimento vegetativo ser travado pela chuva escassa, frio e geadas, pelo que, apesar de o gado continuar “sem dificuldades de acesso” às pastagens, “de uma forma generalizada a matéria verde disponível nas áreas forrageiras não é suficiente para colmatar as necessidades alimentares”.

De acordo com o INE, o recurso a alimentos conservados (palhas, fenos e silagens) e concentrados (rações industriais) tem decorrido “dentro dos parâmetros normais para a época”.

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