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PSD ia debater moção de censura, mas não houve quórum

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Negrão convocou reunião de segunda para terça, mas desconvocou por falta de quórum. Deputados veem debate de quarta-feira como "oportunidade de ouro" para PSD separar as águas e atacar governo.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Era para ter sido uma reunião da bancada do PSD para debater a moção de censura, mas não foi sequer uma reunião. O líder da bancada do PSD, Fernando Negrão, enviou esta segunda-feira “ao início da tarde” um e-mail a todos os deputados a convocá-los para uma reunião esta terça-feira pelas 17h. “Ao início da noite”, contudo, os deputados já tinham outro e-mail na caixa de correio a dizer que, afinal, como avançou o jornal Público, a reunião seria cancelada.

Tudo porque, segundo explicou fonte da bancada ao Observador, muitos deputados tinham mostrado indisponibilidade para estarem presentes nesta terça-feira. É que, havendo jornadas parlamentares de um partido (neste caso, do PCP, que está reunido entre segunda e terça-feira em Braga) os trabalhos no Parlamento param e não há nem reuniões plenárias nem comissões. Ou seja, os deputados do PSD, cuja maioria nem é de Lisboa, não contavam estar em São Bento esta terça-feira. Assim sendo, nada feito: Fernando Negrão pediu que enviassem antes contributos para o debate de quarta-feira por e-mail e não houve reunião preparatória.

Reunião para quê? Deputados ouvidos pelo Observador questionam a pouca antecedência da convocatória, que podia ter sido logo enviada na sexta-feira, dia em que o CDS anunciou a iniciativa, ou no sábado, dia em que o PSD esteve reunido em Convenção, mas também questionam o “efeito prático” dessa eventual reunião. Isto porque Rui Rio já fez saber que a posição escrita do grupo parlamentar sobre a moção de censura é a única válida: “É esta a posição oficial do PSD sobre a sessão plenária da AR na próxima quarta-feira”, escreveu no Twitter, remetendo para o comunicado que dizia que a bancada do PSD votaria a favor, mas com a certeza de que aquela moção não teria “qualquer efeito prático”.

Na noite de segunda-feira, Rui Rio diria mais: que o voto a favor na moção do CDS era apenas “simbólico” e um “mero formalismo”, e que não ponderou sequer apresentar uma moção de censura ao Governo de António Costa porque, mesmo que fosse aprovada, mais não fazia do que apenas antecipar as eleições em quatro meses.

Para um deputado ouvido pelo Observador, contudo, “a discordância do PSD com o PS não pode ser um mero formalismo”. Outro deputado acrescenta que o debate desta quarta-feira, apesar de ter sido desencadeado pelo CDS, é uma “oportunidade de ouro” para o PSD “separar as águas” e clarificar de vez ao que vem: o que o distingue do PS, o que o PS faz mal e o que o PSD faria diferente.

“Já fizemos uma convenção do Conselho Estratégico, temos ideias, temos propostas, agora era altura de começar a passar uma mensagem comum, uma linha narrativa”, diz o mesmo deputado ao Observador, lembrando que com as eleições europeias à porta, Rui Rio e Paulo Rangel têm de se “alinhar” e construir uma narrativa comum eficaz. O debate desta quarta-feira, onde o Governo vai ser o centro dos ataques, seria, no seu entender, o momento ideal para inaugurar essa nova mensagem política.

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