A Toyota é um grande construtor – e muito lucrativo –, ou não fosse ela a maior marca do mundo. A sua estratégia para electrificação sempre passou por muitos híbridos, alguns híbridos plug-in (PHEV) e poucos eléctricos. Com estes últimos a crescer apenas quando fosse tecnologicamente possível avançar, não recorrendo às baterias carregadas a partir da rede, mas sim alimentadas por células de combustível. E não há nada de errado nesta teoria. Excepção feita para o facto de as células de combustível a hidrogénio ainda serem caras e, se bem que a Toyota pareça estar mais avançada do que os concorrentes neste domínio, ainda há alguns problemas para resolver até que as fuel cells se possam constituir como alternativa viável, como se prova pelo facto de o Mirai ter vendido apenas 4.804 unidades em quatro anos de produção. Ainda que fosse desejável que isso acontecesse quanto antes.

Entre todas as grandes marcas, a Toyota terá sido uma das últimas a apostar nos veículos eléctricos a bateria, tanto que ainda vai ser necessário esperar mais algum tempo até vermos o primeiro, para os quais já constituiu uma parceria com a também japonesa Panasonic (para arrancar no final de 2020 e com o construtor nipónico a deter 51% da joint-venture). Esta decisão deve-se não só ao facto de as baterias estarem cada vez mais evoluídas e baratas, como à evolução percentual das vendas dos 100% eléctricos ser superior à dos híbridos e PHEV. A tudo isto juntam-se as palavras do CEO da marca nos EUA, Jim Lentz, que admitiu ter clientes a trocar o Prius pelo Model 3. E isto apesar da diferença de preços, uma vez que a versão mais acessível do carro da Tesla (aquela que será vendida por 35.000 dólares nos EUA e por cerca de 42.000€ em Portugal) ainda não está disponível.

Mas mesmo depois da Toyota se ter comprometido a colocar no mercado 10 veículos eléctricos até final de 2020 e pretender comercializar 1 milhão de unidades 100% eléctricas em 2030, o que representa um forte esforço financeiro – não só para a produção dos veículos, como igualmente das baterias, para o qual prevê 11,5 mil milhões de euros –, o mesmo Jim Lentz diz que não acredita nos eléctricos. Pelo menos, foi isso que o CEO da marca nos EUA afirmou em Janeiro, por ocasião do Salão de Detroit.