O ex-diplomata britânico Fred Hohler criou um website para mostrar ao público como é que era o mundo antes da fotografiaWatercolourWorld já tem mais de 80 mil peças de anos anteriores a 1900, mas a pergunta coloca-se. Como é que Hohler conseguiu juntar tantas aguarelas de anos e autores tão diferentes?

O site começou com algumas peças de coleções públicas de museus como o Rijksmuseum, em Amesterdão, o Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque e o Museu das Belas Artes de Orléans, em França. Mas o fundador do site tem mais interesse em coleções privadas. ”As pessoas dizem sempre que não têm nada de especial. Mas depois vou até ao sótão ou às salas de estar delas e descubro tesouros escondidos”, conta Hohler, citado pelo The Guardian.

A coleção que está no Watercolour World é muito abrangente, uma vez que o objetivo é reunir trabalhos de pintores profissionais e amadores de outra época. Hohler suspeita que algumas aguarelas podem pertencer a mulheres que não eram remuneradas e pintavam apenas para deixar pistas e registos de como era o mundo na altura.

”Deserters [Desertas] taken on the spott from the Pallas” [Bray album], 1774, de Gabriel Bray

Aliás, Hohler diz mesmo que estes quadros ”são ferramentas fundamentais para perceber o presente”, quer em relação a questões ambientais, como a erosão costeira e a perda de fauna e flora, mas também sociais e políticas, como as guerras e a ação do Estado Islâmico.

”A general prospect of Palmira from the north west”, 1756, obra dedicada a Thomas Bowles III

Hohler diz que há milhões de peças que podiam fazer parte da coleção do site e que  ”qualquer pessoa com um telemóvel pode enviar uma fotografia de uma pintura histórica para descobrir se alguém mentiu [acerca da obra], e assim completar a imagem que temos do mundo

No site é possível fazer uma pesquisa minuciosa e procurar obras por continente, país, ano ou autor.