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Alec Baldwin, coberto em maquilhagem laranja, com os lábios para fora, as mãos junto ao peito e uma peruca loira, tornou-se numa personagem icónica da televisão norte-americana. O ator imita regularmente o presidente dos Estados Unidos da América no programa de comédia Saturday Night Live, na NBC. Depois do último sketch, Donald Trump voltou a criticar o canal e o programa através do Twitter e agora o ator tem medo de que a segurança da sua família esteja comprometida.

O comentário de Donald Trump no Twitter — “Como é que os canais conseguem mostrar estes ataques ao Partido Republicano sem quaisquer consequências? […] É muito injusto e devia ser investigado” — surgiu depois de Alec Baldwin abrir um episódio do programa parodiando o discurso em que o Presidente declarou emergência nacional para poder ter fundos para construir o que falta do muro na fronteira com o México.

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O Presidente dos EUA acrescentou depois, sempre em letras maiúsculas, que “OS MÉDIA TENDENCIOSOS E CORRUPTOS SÃO INIMIGOS PÚBLICOS!”. É uma classificação habitual de Donald Trump para os críticos.

O ator começou por responder também através do Twitter, perguntando se um Presidente em funções o qualificar como “um inimigo público” era considerado uma ameaça à sua segurança, e à da sua família. Depois, numa entrevista ao podcast Dworkin Report, desenvolveu o sentimento: “[Donald] Trump envia sinais às pessoas, não necessariamente sobre o que fazer, mas sobre como se devem sentir, e isso é o início. Ao princípio faz com que as pessoas se zanguem, ao princípio faz com que as pessoas fiquem agitadas e amargas, é daí que nascem os atos”.

Alec Baldwin disse nunca ter temido pela sua segurança, nem pela da sua família, até agora. Mas o pedido de uma investigação ao programa, e de consequências para o canal, fizeram o ator ponderar. Não sobre um ato direto do governo, mas sim pelas possíveis reações de apoiantes do Partido Republicano e de Donald Trump.

Os comentários do Presidente Americano geraram críticas de políticos e jornalistas. O democrata Ted Lieu sublinhou que “o que torna a América grande é que as pessoas se podem rir do Presidente sem consequências”. O correspondente sénior do New York Times para a Casa Branca, Peter Baker, lembrou que “nenhum outro Presidente, em décadas, ameaçou publicamente um canal por o parodiar”. A União Americana pelas Liberdades Civis respondeu ao comentário do Presidente aludindo à proteção constitucional à liberdade de expressão: “Chama-se a Primeira Emenda”.