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Parecia uma “cena saída de um filme”, com tanto aparato policial. Foi assim que uma moradora descreveu o assalto desta quarta-feira à noite, em Oliveira São Mateus, Vila Nova de Famalicão.

Os moradores da rua estavam visivelmente alarmados com a situação, até porque nada fazia prever o assalto. Não viram movimentações suspeitas nas redondezas, nem desconhecidos, que pudessem ser encarados como uma ameaça. Apesar do barulho das sirenes das autoridades, a vizinha da habitação ao lado da moradia assaltada, não se apercebeu de nada durante a noite, mas com receio, manifesta vontade de sair de casa.

Um jovem de 28 anos foi sequestrado na moradia. Os autores do sequestro invadiram e assaltaram a vivenda, onde mora a família. Os assaltantes fugiram antes de as autoridades chegarem ao local.

A casa assaltada, em Oliveira São Mateus, Famalicão, é a última de uma rua sem saída. A moradia está rodeada por uma vasta área de terreno, escondida por arvoredo, protegida por muros, e um enorme portão castanho. A zona residencial é calma e tranquila. Na entrada, nenhum sinal de arrombamento. Do lado de fora, nem se vê a vivenda, por isso, os suspeitos já saberiam ao que iam.

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À chegada ao local, o portão elétrico abriu-se. Do outro lado, um homem recusou dar qualquer informação e fechou, novamente, o portão.

Em resposta ao Observador, a Guarda Nacional Republicana informa que o alerta de “ocorrência de roubo em residência” foi dado, via 112, para o Comando Territorial de Braga. De imediato, de acordo com a GNR, foram “mobilizadas diversas patrulhas para o local”. A Guarda Nacional Republicana classificou a situação como um “incidente tático policial”, que por si só, motiva o acionamento de um “dispositivo reforçado”. E porquê? Porque existia a possibilidade “dos suspeitos estarem armados e da existência de uma vítima sequestrada”.

Foram empenhados militares dos destacamentos territoriais de Barcelos e Guimarães, dos destacamentos de intervenção do Porto e Braga, de equipas de intervenção em situações especiais de ordem pública (Unidade de Intervenção) e de uma equipa de negociadores.

Em Oliveira São Mateus, quando entraram na habitação, os militares da Guarda Nacional Republicana confirmaram que “os suspeitos tinham abandonado a casa, momentos após a GNR ser alertada para a situação”, e antes, de “os primeiros meios chegarem ao local”.

Os Bombeiros Voluntários de Riba d’Ave receberam o alerta por volta das 23 horas, e encaminharam para o assalto dois carros com quatro homens. Assistiram, no local, o jovem, que foi mantido em cativeiro na própria casa. A vítima apresentava ferimentos ligeiros, e segundo os bombeiros, não necessitou de tratamento hospitalar.

A megaoperação policial durou pelo menos cinco horas, terminando por volta das 4 da manhã, segundo os bombeiros. A GNR terá entrado na casa pelas 3 da madrugada, mas nessa altura os assaltantes já tinham fugido há algumas horas. O jovem terá sido preso num dos quartos de banho da moradia, e terá conseguido alertar a mãe, não se sabe como, para que não entrasse na vivenda. Na zona, especula-se que os suspeitos pertencerão a um grupo já referenciado por fazer assaltos “a casas com cofres”, e esse, seria o principal alvo dos assaltantes. Não foi possível apurar se os suspeitos, que continuam em fuga, roubaram bens do interior da vivenda.

A Polícia Judiciária ficou encarregue da investigação, como confirmaram fonte da PJ e da GNR ao Observador.