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Há um gesto quase reflexo dos jogadores de futebol quando são ameaçados ou veem mesmo o primeiro amarelo por parte do árbitro. “Uma, uma”, dizem enquanto vão levantando o indicador, passando ao lado se a infração teve ou não a gravidade para ser sancionada dessa forma. Quase como se houvesse nas regras um qualquer desconto dois em um que permitisse passar ao lado do lado disciplinar e isso voltou a ver-se esta noite quando Jefferson, com alguma razão, protestou com Pavel Kralovec. Depois, num gesto que se foi apagando com o tempo, o apontar com o dedo para a braçadeira de capitão para justificar protestos. Outra coisa que não está nas regras, outra coisa que pode ou não ser sancionada. Como foi, no caso de Bruno Fernandes.

Jefferson e o rótulo de material frágil numa equipa que não era de cerâmica (a crónica do Villarreal-Sporting)

Quase no final da primeira parte, quando o resultado estava ainda a zero, o médio foi carregado de forma clara por Javi Fuego, ficou a queixar-se no relvado da zona do peito sem que a falta fosse marcada porque a bola continuou na posse dos leões e, ao levantar-se, protestou de forma veemente com o árbitro. Kralovec, que andou sempre com cara de mau a abrir os olhos para impor respeito aos jogadores, não teve contemplação e exibiu o amarelo ao capitão leonino, o 13.º da temporada – que lhe valeu, em paralelo, a obrigatoriedade de pagar um jantar ao presidente do Sporting, Frederico Varandas, por ter perdido a aposta que não teria mais cartões do que na temporada transata (12). No entanto, esse foi um mal menor.

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No jogo em que igualou mais um recorde com a camisola do Sporting, ao tornar-se o médio dos leões com mais golos numa só temporada a par de António Oliveira na temporada de 1981/82 (22), o internacional português apontou o sexto golo nos últimos seis encontros, voltou a ultrapassar Bas Dost na lista de marcadores verde e brancos mas acabou por não conseguir evitar o empate que eliminou o conjunto português da Liga Europa, frente aos espanhóis do Villarreal. No final, Bruno Fernandes criticou o critério da arbitragem sobretudo na expulsão de Jefferson, admitindo que esse momento alterou por completo o jogo.

“A expulsão é decisiva no jogo porque ficámos com dez e fomos obrigados a baixar. Com mais um golo podíamos ter passado a eliminatória… Ainda não consigo perceber a expulsão porque era um lançamento para nós e o árbitro dá falta. Acabámos por sair prejudicados”, referiu o capitão leonino nas entrevistas rápidas da SportTV. “Tínhamos a esperança de fazer golo a qualquer momento e foi importante fazê-lo no final da primeira parte, pois com mais um golo estaríamos na próxima fase e o Villarreal teria de marcar outros dois. Saímos com um empate e a certeza de que podíamos ter feito melhor, principalmente na primeira mão. De qualquer forma, a equipa deu tudo e agora temos de pensar no Campeonato”, acrescentou.

“A equipa precisa ter consciência da qualidade que tem. Temos vindo a melhorar mas temos muito a melhorar. Estamos no bom caminho. Agora vamos pensar no próximo jogo e na vitória. Não ganhámos o jogo mas a nível anímico foi muito importante porque a equipa deixou tudo em campo”, rematou o número 8 verde e branco, médio com mais golos na Europa.

Também Marcel Keizer colocou o enfoque na importância da expulsão para o empate final frente ao Villarreal. “Foi essencial porque estávamos muito bem no jogo com onze jogadores. Não tínhamos problemas e com o cartão vermelho passámos a ter. A ganhar por 1-0, íamos para o segundo golo mas com o cenário de dez jogadores poderíamos ter segurado a vantagem e ir a prolongamento. Estratégia para manter? Vamos ver, não podemos jogar assim porque depende também do adversário. Agora temos um novo jogo já na segunda-feira e depois disso talvez a frescura nos dê algo”, analisou o técnico holandês.

Por fim, Gudelj abordou a importância de ter o Sporting a lutar no que resta da época pelo segundo lugar no Campeonato. “O segundo amarelo trocou um pouco o jogo. Depois disso ainda controlámos, fomos compactos, sem jogar tanto como antes do vermelho, mas defendemos bem. Eles não tiveram assim tantas oportunidades. É pena não termos marcado na outra chance que tivemos. Agora o foco tem de ser na Liga e na Taça de Portugal. Temos um jogo importante que queremos ganhar com o Benfica para a Taça e na Liga temos de dar tudo para chegar ao segundo lugar. Se for possível, até ao primeiro”, disse.