Uma denúncia, um autor, quase dois milhões de visualizações. Este foi o resultado da publicação de um vídeo por Matt Watson a explicar como é que os pedófilos se podem estar a aproveitar do algoritmo do Youtube para aceder a conteúdo sexual. E tudo graças às sugestões que a rede social oferece, na coluna do lado direito da página, que traz ao usuário apenas aquilo que é do seu interesse.

Em causa estão vídeos em que aparecem menores de idade a falar sobre a sua rotina diária, nomeadamente sobre os exercícios que fazem no dia-a-dia. Entre estes, conta-se a dança, a natação ou o yoga. Foi neste cenário, que à primeira vista é inocente, que surgiram vários comentários com expressões direcionadas às crianças e à sua aparência física. “Amen”, “Ela sabe o que está a fazer” ou “Olá, bebé, és de onde?” são alguns dos comentários que demonstram o interesse sexual por parte de quem os fez.

Há inclusive referências aos momentos do vídeo que os usuários querem destacar, links que remetem para outros vídeos — que agora aparecem como indisponíveis — e ainda propostas para se adicionarem contactos de uns e outros.

Certo é que o problema não está nos vídeos em si, uma vez que o seu propósito não é sexual; está, pois, no público que eles alcançaram. Ou melhor, que o algoritmo do Youtube permitiu que eles alcançassem. E essa recomendação do Youtube foi feita sem que a primeira busca tivesse que ver com menores, mas sim com, por exemplo, palavras como “mulheres de biquíni”.

A razão para isto ter acontecido não é certa, mas equaciona-se um possível erro da plataforma em detetar essa busca em idiomas que não o inglês, de acordo com a revista Wired.

No rescaldo, empresas como a Disney, a Nestle ou a Epic Games retiraram a sua publicidade do Youtube quando descobriram que os seus anúncios antecediam esses vídeos.

Por seu lado, o Youtube garantiu que “qualquer conteúdo — incluindo comentários — que ponha em perigo menores é abominável” e que conta com políticas claras que o proíbem na plataforma. “Tomámos ações imediatas, ao eliminar contas e canais, denunciando qualquer atividade às autoridades e desativando os comentários em dezenas de milhões de vídeos que incluem crianças. Há mais a fazer e continuamos a trabalhar para detetar abusos de uma forma cada vez mais rápida”, explicou o porta-voz do Youtube, citado pelo El Mundo.