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Fake News. Bruxelas “esperava mais” dos primeiros relatórios da indústria

Chefe da Unidade de Comunicação Estratégica da Comissão Europeia admitiu que "esperava mais" dos primeiros relatórios das plataformas que aderiram ao código de conduta contra a desinformação.

TIAGO PETINGA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa
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A chefe da Unidade de Comunicação Estratégica da Comissão Europeia, Tina Zournatzi, admitiu esta quinta-feira que “esperava mais” dos primeiros relatórios das plataformas que aderiram ao código de conduta contra a desinformação. “Não ficámos particularmente entusiasmados com os relatórios”, afirmou Tina Zournatzi, que intervinha em Lisboa na conferência “Combate às ‘fake news’ — uma questão democrática”, organizada pelas agências de notícias Lusa e EFE, de Espanha.

A especialista grega salientou que o código de conduta que a Comissão Europeia pôs em prática para combater a desinformação foi assinado por algumas empresas de publicidade, bem como pelo Facebook, Google, Mozilla e Twitter. “Esta é a primeira vez, globalmente, que a indústria consente de forma voluntária, para criar estes critérios de autorregulação para combater a desinformação”, referiu.

A chefe da Unidade de Comunicação Estratégica na Direção Geral de Comunicação da Comissão Europeia disse que cada um destes agentes concordou “em relatar o progresso a cada mês até às eleições europeias [que se disputam de 23 a 26 de maio], bem como a cada ano nos próximos anos”, tendo os primeiros relatórios sido entregues em janeiro. “Este mês esperamos mais”, afirmou.

O código de conduta da Comissão Europeia pretende aumentar a deteção, análise e exposição da desinformação, mobilizar o setor privado para atacar este fenómeno, uma cooperação e respostas mais fortes contra as ‘fake news’, e ainda aumentar a consciência e a resiliência social. Referindo que a União Europeia (UE) “não tem estado imune” à desinformação, Zournatzi disse que a instituição tem vindo a ser “há vários anos uma vítima” do que apelidou de “euromitos”.

Um dos exemplos disso tem a ver com a saída do Reino Unido da União Europeia (‘Brexit’). “Durante vários anos, deixámos andar sem uma defesa a sério, e depois, quando o ‘Brexit’ aconteceu, apercebemo-nos de que ao longo de tantos anos o público britânico tinha ficado com uma visão muito diferente daquilo que a União Europeia estava realmente a fazer”, afirmou Tina Zournatzi.

Na opinião de Zournatzi, “a desinformação tem um efeito perigoso” e a Europa tem-se confrontado com isso diversas vezes. Um dos exemplos mais recorrentes de um “euromito” é que a UE quer banir certos alimentos de cada vez que é aprovada uma nova regulação, contou.

Tina Zournatzi disse também informação falsa provém igualmente da Rússia e, por isso, desde 2015, existe uma equipa na UE (East Stratcom Task Force) que se ocupa especificamente da desinformação pró-Moscovo, que já encontrou cinco mil exemplos.

Um dos métodos utilizados por Moscovo, contou, é espalhar várias versões do que aconteceu para confundir as pessoas, que não sabem em que acreditar. De acordo com dados divulgados por Tina Zournatzi, “apenas 3% dos russos acreditam que Moscovo é responsável pelo envenenamento dos Skripal”, numa referência ao caso do ex-espião russo e da sua filha, Yulia, que foram atacados no Reino Unido, em 2018, numa ação que Londres atribuiu aos serviços secretos russos.

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