Será que percebe mesmo de vinhos?

Está no meio de nós há séculos e integra a cultura portuguesa como se fosse um fado. Por isso, pensamos que o conhecemos – ao nosso vinho - como ninguém. Será que é mesmo assim?

Se há uns anos só falava de castas ou terroir quem percebia realmente de vinhos, hoje o acesso a esta informação generalizou-se de tal maneira que é já conversa habitual entre muitos de nós. Ao ponto de uma simples ida à tasca do costume incluir, agora, um diálogo inicial com o empregado para averiguar sobre o bilhete de identidade do vinho da casa. Ou um qualquer convite para jantar em casa de amigos passar a implicar interrogatórios cerrados sobre a ementa, para que o vinho que levamos “case” bem.

E ainda bem que assim é. Todo o respeito que tenhamos pelo vinho é pouco, tendo em conta o muito que nos dá. Afinal, ele está connosco como o amor das nossas vidas: na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza. Qualquer ocasião é boa para o bebermos e é, em regra, com um copo na mão que aprofundamos amizades, confidenciamos segredos, declaramos paixões ou celebramos momentos em família.

A melhor feira de vinhos está de volta

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Até 25 de fevereiro, os melhores vinhos e os seus inseparáveis amigos – queijo e enchidos – estão de volta ao Continente, a preços irresistíveis. É mais uma edição da Feira de Queijos, Enchidos e Vinhos, que novamente propõe uma seleção alargada do melhor que o nosso país produz. Agora só falta convidar os amigos, porque motivos para brindar com eles nunca faltam.

O interesse pelo vinho é crescente e a acompanhá-lo estão os múltiplos cursos de iniciação que proliferam, bem como os programas de provas e até de participação nas vindimas. Tudo isto nos últimos anos, com o nosso país a assumir-se como aquele que mais vinho consome no mundo: exatamente 51,4 litros de vinho por pessoa em 2017, segundo dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho.

Mas será que sabemos realmente o essencial sobre vinhos? Para ajudar na próxima conversa que tiver com aquele amigo armado em enólogo, deixamos aqui o que deve mesmo saber acerca dos vários tipos de vinho. E, logo de seguida, teste os seus conhecimentos.

Vinho tinto

É produzido a partir da fermentação de uvas tintas, havendo contacto entre as películas e o mosto. Pode apresentar diversas tonalidades, desde o vermelho vivo ou rubi até ao mais granada ou cor de telha. O que determina a diferença de cor é a casta, a idade e o estágio do vinho.

Os vinhos jovens são caracterizados por cor vivas, aromas frutado ou floral e sabores vibrantes. São mais versáteis, adequados à generalidade das ementas, mas vão especialmente bem com entradas de enchidos, massa, pizza, pratos simples de carne ou com a posta de bacalhau. Sugere-se que sejam servidos, em regra, entre os 15 e os 17°C.

À medida que vão envelhecendo, os vinhos tintos vão perdendo intensidade na cor, ganhando em complexidade aromática e em elegância nas texturas. Diz-se que são vinhos de guarda aqueles que beneficiam em ser bebidos anos mais tarde. Podem ser servidos a uma temperatura ligeiramente superior aos vinhos jovens, a 17-18°C. Convém que sejam abertos 20 a 30 minutos antes de serem servidos e adequam-se a pratos elaborados de carne vermelha ou caça, bem como a acompanhar queijos de sabor intenso.

Vinho branco

Obtido a partir da fermentação de uvas brancas sem a presença da película, embora haja exceções.

Os vinhos brancos caracterizam-se pelo aspeto límpido e cor amarela, que pode variar entre o esverdeado e o amarelo dourado. Também aqui encontramos vinhos brancos para consumir jovens ou outros mais adequados à guarda. Os primeiros caracterizam-se pela cor pálida e aromas frescos, que podem ser cítricos ou florais. São um bom aperitivo, sobretudo no verão, e acompanham bem pratos de peixe e saladas. Ganham em ser consumidos a uma temperatura entre os 8°C e os 10°C.

Já os vinhos brancos mais estagiados apresentam maior complexidade e intensidade aromática, mostrando em regra tonalidades douradas. Ligam bem com pratos de bacalhau, salmão ou carnes brancas. Devem ser servidos a uma temperatura entre os 10 e os 12°C.

O caso excecional do vinho verde

Designam-se vinhos verdes todos os que provêm da Região Demarcada dos Vinhos Verdes, a qual se estende por todo o noroeste de Portugal e que é habitualmente conhecida como Entre-Douro-e-Minho, apesar da região começar a sul do Douro. Existem vinhos verdes brancos, tintos e rosés, tal como em todas as outras regiões produtoras do país.

Caracterizam-se pela sua acentuada acidez, leveza, frescura e por apresentarem uma leve nota frisante. Tradicionalmente, são vinhos para consumir muito jovens, ideais como aperitivo ou para acompanhar ementas leves de salada, peixe, marisco, tapas ou sushi, por exemplo.

Vinhos frisantes e Vinhos espumantes

Caracteriza-se por ter pouco gás – a “bolha” —, o qual é produzido naturalmente no processo de fermentação da uva. Os vinhos frisantes fermentam apenas uma vez, ao contrário dos vinhos espumantes, cujo gás carbónico é formado na segunda fermentação.

Entre os vinhos frisantes mais conhecidos destacam-se o italiano lambrusco. Já o espumante é um vinho cujas características e métodos de fabrico foram importados de França, de onde é originário o famoso Champanhe – denominação que apenas pode ser usada pelos espumantes produzidos na região demarcada com este nome. Em Portugal, também temos bons vinhos espumantes naturais, nas variantes branco, tinto e rosé.

Vinho rosé

Elaborado a partir de uvas tintas segundo um processo especial de fermentação, que consiste em retirar do mosto as películas das uvas, numa altura em que já foi transferida a coloração rosada. Segue-se depois um processo semelhante ao do vinho branco.

Muito equilibrado e aromático – com destaque para as notas florais ou frutadas –, o vinho rosé é uma excelente opção para os dias quentes, e conjuga-se bem com cozinha de fusão e oriental. Deve ser consumido jovem e entre os 9 e 11°C.

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