A sessão de mediação realizada esta sexta-feira no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, entre o clube Flamengo e os familiares das vítimas do incêndio que matou dez rapazes no dia 8 de fevereiro, terminou sem acordo.

Segundo a agência Brasil, os familiares das vítimas saíram da sessão revoltados com o valor de indemnização proposto pelo clube brasileiro, que seria “pouco superior a 400 mil reais (cerca de 94 mil euros) e um salário mínimo mensal”.

Até hoje [sexta-feira] não recebi um único telefonema do Flamengo. Faltaram ao respeito. Dinheiro nenhum paga a vida do meu filho. Nós não viemos aqui atrás disso, viemos atrás de respeito, coisa que eles não tiveram com os nossos filhos”, disse à agência Brasil Uedison Cândido, pai de um dos jovens vítima do incêndio.

Também Marília de Barros, mãe de outro jogador que perdeu a vida do dormitório do clube, mostrou-se desagradada com o procedimento adotado por aquele que é um dos maiores clubes desportivos do Brasil.

“Foi uma covardia. Eu sinto-me abandonada pelo Flamengo. A deceção foi muito grande. Os nossos filhos morreram juntos, então, devemos lutar juntos. O que fizeram connosco não tem preço, não vão trazer os nossos filhos de volta, mas queremos a nossa dignidade”, declarou à imprensa.

Cíntia Guedes, responsável pela defesa das famílias, afirmou que não foi possível chegar a um acordo e que o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, chegou a ser consultado, via telefone, mas não aprovou a proposta dos familiares.

“Pedimos aos advogados [do Flamengo] que levassem a questão ao presidente. Eles saíram, conversaram com o presidente, mas não foi possível nenhum acordo. As famílias decidiram, então, encerrar o processo de negociação”, afirmou Cíntia Guedes, acrescentando que cada família pode agora, individualmente, propor uma ação.

Na quarta-feira, o Flamengo informou, em comunicado, que foi oferecido às famílias “um valor que está acima dos padrões que são adotados pela Justiça brasileira”, acrescentando que o clube “teve o cuidado de oferecer valores maiores dos que estão a ser estipulados em casos similares”.

Os dez rapazes que morreram no incêndio que deflagrou na madrugada do passado dia 8 de fevereiro no centro de treinos do Flamengo, clube de futebol do Rio de Janeiro, tinham entre 14 e 16 anos e jogavam pelo clube brasileiro.

O fogo atingiu o alojamento onde viviam os jovens atletas, que na sua maioria eram provenientes de outros estados brasileiros, no momento em que estes se encontravam a dormir. O incêndio causou ainda três feridos, com idades entre os 14 e os 15 anos, sendo que um está em estado grave, com 30% a 35% do corpo queimado, tendo já sido operado, de acordo com a plataforma de notícias G1.

Segundo dados revelados pela Prefeitura do Rio de Janeiro, a área em que o Flamengo construiu o alojamento das suas categorias de formação e que acabou por ser destruído pelo fogo, tinha apenas autorização para funcionar apenas como estacionamento.

O centro de treinos em causa não possuía certificado contra incêndios, informaram os bombeiros do Rio de Janeiro.