A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse este domingo, em Coimbra, que “a administração dos CTT tem vindo a manipular os dados” que divulga publicamente e a “mentir” ao regulador e às populações.

“A cada dia que passa, a cada mês que passa, a empresa está mais frágil”, afirmou Catarina Martins, sublinhando que os CTT foram construídos “pelo serviço público, pelo investimento público e pelos seus trabalhadores” e, enquanto pertenceu ao setor público, “deu lucros da ordem dos 60 milhões de euros por ano”, estando “presente em todo o território”.

Mas a privatização dos CTT “está a permitir aos acionistas privados vampirizarem a empresa” e, “como diz o próprio regulador — a ANACOM [Autoridade Nacional de Comunicações] — não estão a ser cumpridos os mínimos do serviço público a que a empresa estava obrigada”.

“Mais: sabemos que a administração dos CTT tem vindo a manipular os dados que traz a público e a mentir à população portuguesa e ao regulador”, salientou.

“É uma situação grave que merece atuação”, defendeu a líder do Bloco de Esquerda (BE), que falava aos jornalistas, em Coimbra, depois de ter participado numa reunião com trabalhadores da empresa CTT – Correios de Portugal.

Catarina Martins considerou, por outro lado, “errada” e “digna de registo” a decisão da Assembleia da República, que, na sexta-feira, rejeitou uma proposta do BE para que o Estado retome o controlo público” da empresa.

“Tendo havido autarcas de todos os partidos a contestar a atuação dos CTT e a defenderem a nacionalização da empresa, não deixa de ser um péssimo sinal que, no parlamento, PS, PSD e CDS tenham rejeitado o controlo público” da empresa, sustentou.

Autarcas de “todos os partidos, por todo o país”, têm “contestado a administração dos CTT, que tem fechado sucessivas estações de correio — já lá vão mais de 80” –, desde que a empresa foi privatizada e, “com isso, privado muitos concelhos” da necessária “ligação ao serviço público a que todas as populações devem ter direito”, frisou.

Do encontro deste domingo com trabalhadores dos CTT ficaram “duas certezas”. Uma é que “o serviço de correios é um serviço de futuro, é um serviço público, que representa a presença do Estado em todo o território, é essencial para a coesão social” e que, “independentemente das inovações tecnológicas, vai ser sempre necessário um serviço público que assegure a comunicação em todo o território para todas as gerações”.

A outra certeza saída da reunião é que o BE “reafirma o seu compromisso com os trabalhadores dos CTT e com toda a população portuguesa” de lutar pela “nacionalização dos Correios de Portugal”, assegurou Catarina Martins.

“O projeto [do BE] pode ter sido chumbado agora [na Assembleia da República], mas a questão vai manter-se na atualidade porque as populações continuam a precisar de correios e a administração privada continua a ser incapaz de respeitar o serviço público”, sustentou.

“No momento em que todos os partidos devem dizer ao que vêm, quais são os projetos para o futuro do país”, o BE compromete-se com “os trabalhadores dos CTT e com todas as populações” a não abandonar “o combate pela nacionalização dos CTT”, concluiu a líder bloquista.