Donald Trump responde ao discurso de Spike Lee e acusa-o de "fazer ataque racista contra o seu Presidente"

Spike Lee falou nos Óscares sobre a escravidão e as eleições. Trump acusou-o de "fazer ataque racista", recordando que fez mais pela comunidade afro-americana "do que qualquer outro Presidente".

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AFP/Getty Images

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Depois do discurso de Spike Lee nos Óscares, onde lembrou a escravidão e abordou as eleições de 2020 com um pedido para “escolher entre o amor contra o ódio”, Donald Trump utilizou o Twitter para responder ao realizador, acusando-o de ter feito um ataque racista contra o Presidente dos Estados Unidos. “Seria bom se Spike Lee pudesse ler as suas anotações, ou melhor ainda, não usar notas, ao fazer racismo contra o seu Presidente, que fez mais pelos afro-americanos (Reforma da Justiça Criminal, números mais baixos de desemprego na história, cortes de impostos, etc.) do que quase qualquer outro Presidente”, afirmou o líder norte-americano.

Spike Lee, que este ano ganhou o óscar de Melhor Argumento Adaptado com “Blackkklansman”, subiu ao palco para receber a estatueta e acabou por fazer um discurso marcado pela crítica política. Começou por relembrar os seus antepassados e a escravidão: “A palavra de hoje é ironia. A data, dia 24. O mês, fevereiro, que por acaso não só é o mais curto do ano como também é o Black History Month [nos calendários norte-americanos]. O ano, 2019. O ano, 1619. História, a história dela. 1619. 2019. Há 400 anos os nossos antepassados foram roubados do Norte África e trazidos para Jamestown, na Virgínia. Escravizados. Os nossos antepassados trabalharam as terras e construiram este país”, afirmou o realizador de Brooklyn.

Lee relembrou ainda o exemplo da sua avó que “viveu até aos 100 anos, tirou um curso na Spellman College e tudo isto tendo em conta que a sua mãe tinha sido escrava”, e teve ainda tempo de falar sobre as eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2020, numa alusão contra a escolha de Donald Trump. “Perante o mundo, esta noite, eu vanglorio os nossos antepassados que ajudaram a construir este país e a transformá-lo naquilo que é hoje juntamente com o genocídio dos seus povos nativos. Se todos nos conectarmos com os nossos antepassados, teremos amor e sabedoria. Reconquistaremos a nossa humanidade. Será um momento poderoso. […] As eleições de 2020 estão aí ao virar da esquina, vamos mobilizar-nos e ficar no lado certo da história. Fazer a escolha moral entre o amor contra o ódio.”

Antes da cerimónia, quando ainda faltavam algumas horas para os anúncios dos vencedores, Lee já premia o gatilho. Em direto e para as câmaras da CNN, o realizador previu uma revolta no Twitter “negro”, caso “as coisas não corressem de determinada forma”.

Esta noite ficou também marcada por um recorde “racial”. Nenhuma outra gala galardoou tantos negros. Para além de Spike Lee, também Regina King, Ruth Carter, Hannah Beachler, Mahershala Ali, Peter Ramsey e Kevin Willmott conseguiram estatuetas. O Óscar de melhor filme acabou por ir para “Green Book”, um filme sobre a época da segregação racial.

No momento em que Julia Roberts anunciou o vencedor para a categoria de “Melhor Filme”, Spike Lee não escondeu a sua revolta. De acordo com a Associated Press, o realizador acenou as mãos em protesto e dirigiu-se à saída da sala. Aparentemente, Lee foi impedido de sair por alguns dos membros do staff dos Óscares e acabou por voltar ao seu lugar, visivelmente revoltado.

Sem microfones que conseguissem captar o que Spike Lee poderá ter dito no momento em que “Green Book” arrecadou a estatueta mais desejada, o realizador acabou por soltar a sua revolta depois da gala. Numa sala repleta de jornalistas, quando questionado sobre o que se passara no final da gala, Lee acabou por comparar os Óscares com um jogo de basquetebol no Madison Square Garden, em Nova Iorque. Acompanhado de champanhe e visivelmente bem disposto, Lee rematou dizendo que “o árbitro tomou uma decisão errada”, referindo-se ao momento do anúncio do melhor filme, que o fez levantar-se do seu lugar.

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