A carcaça de uma cria de baleia encontrada na floresta da Amazónia, na última sexta-feira, deixou os cientistas perplexos e foi notícia em diferentes pontos do globo. A baleia jubarte — também conhecida como baleia-corcunda ou baleia-cantora — foi encontrada sem vida, encalhada em Soure, ilha de Marajó, na floresta amazónica do Brasil.

Segundo a organização ambientalista Bicho D’água, ligada à Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazónia – FIDESA, o cadáver diz respeito a uma cria de baleia com cerca de um ano de idade e com 8 metros de comprimento. Na respetiva página de Facebook, os investigadores desta associação escrevem que, apesar do aparente mistério, “é totalmente compreensível que uma carcaça vá parar dentro do manguezal” e que, contrariamente ao que as imagens possam sugerir, este “não é um animal adulto”.

A baleia jubarte encalhada em Soure, ilha de Marajó, era um filhote de cerca de um ano de idade e 8 m de comprimento. A…

Posted by Bicho D'água on Saturday, February 23, 2019

A carcaça foi encontrada a cerca de 15 metros da praia “devido às macromarés comuns da Costa Norte do Brasil”. Ainda assim, o corpo está em processo de necropsia e, segundo as informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde, Saneamento e Meio Ambiente (Semma), uma equipa que conta com a ajuda dos biólogos da Bicho d’água e do Museu Emílio Goeldi está dedicada a entender o motivo porque a cria de baleia apareceu tão longe do oceano em “período invernoso”.

Ao jornal Globo, a bióloga Renata Emin questionou-se precisamente sobre isso: “A pergunta é o que é que uma baleia jubarte está a fazer no mês de fevereiro em plena Costa Norte do Brasil? É inusitado.” A bióloga explicou ainda que estas baleias passam os meses entre agosto e novembro na Bahia, de modo a reproduzirem-se, e só depois seguem rumo à Antártida para se alimentarem. “Tivemos um registo de encalhe de jubarte no Pará há três anos, mas é raro. Este parece ser um filhote que acabou de ser deixado pela mãe, podia estar perdido”, continuou.

As análises a serem realizadas ao corpo do animal, que foi encontrado numa área de difícil acesso, razão pela qual não poderá ser removido, poderão ajudar a determinar as causas da morte — resultados que podem ficar comprometidos devido ao estado de decomposição. As conclusões deverão, ainda assim, estar disponíveis num prazo de dez dias. Finda a autópsia, partes da carcaça serão entregues ao Museu Goeldi para fins de investigação.