A demissão do chefe da diplomacia iraniana Mohammad Javad Zarif não foi aceite pela presidência do Irão, anunciou esta terça-feira em comunicado o ministério dos Negócios Estrangeiros em Teerão.

“Na sequência do anúncio do gabinete da presidência, a renúncia não foi aceite”, refere no comunicado o porta-voz do ministério, Bahram Qasemi, que definiu como “incorretas” as interpretações emitidas sobre os motivos da demissão de Zarif na noite de segunda-feira.

O chefe do gabinete da presidência, Mahmud Vaezi, desmentiu em primeiro lugar as notícias onde se garantia que a demissão tinha sido aceite e, horas depois, publicou na sua conta Instagram que para o Presidente Hassan Rohani “a República Islâmica do Irão tem apenas uma política externa e um ministro dos Negócios Estrangeiros”.

O site da presidência iraniana não informou até ao momento, e oficialmente, da decisão de recusar e renúncia de Zarif. Essa informação foi antes emitida numa conta do Instagram de “apoiantes” de Rohani, que não é oficial, mas seguida por numerosos responsáveis iranianos e jornalistas.

“O doutor Hassan Rohani, Presidente da República Islâmica do Irão, rejeitou a renúncia de Mohammad Javad Zarif”, indica o texto, acompanhado das etiquetas “Zarif não está só” e “Zarif vai ficar”.

Por sua vez, o Presidente enalteceu esta terça-feira num discurso o trabalho de Zarif e a sua dedicação no combate contra os Estados Unidos, mas optou por não aludir à anunciada demissão. Perante estas declarações, o ministério dos Negócios Estrangeiros remeteu-se ao silêncio.

Esta terça-feira, e através de uma mensagem dirigida a diplomatas e funcionários do ministério, apenas apelou para que permaneçam nos seus postos, após diversas declarações sobre a intenção de se demitirem caso seja confirmada a renúncia do ministro.

Zarif, no cargo desde 2013, recebeu numerosas mensagens de apoio, incluindo de 160 deputados que assinaram uma carta onde pedem a Rohani que rejeite a sua demissão.

O ministro, e principal negociador iraniano do acordo nuclear assinado em 2015 entre o Irão e seis grandes potências não revelou na noite de segunda-feira os motivos para a demissão do cargo, uma atitude que alimentou as especulações.

“Peço sinceramente desculpa pela minha incapacidade de permanecer no posto e por todas as lacunas durante o meu serviço”, escreveu na noite de segunda-feira na sua conta no Instagram.

A sua renúncia motivou receios sobre a perda de um interlocutor com boa reputação internacional e que a política externa do Irão seja reorientada para posições mais conservadoras.