O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, disse esta quarta-feira, no parlamento, que o governo quer tornar Cabo Verde menos dependente das chuvas, com uma aposta na massificação das energias renováveis para mobilização de água.

“É através de uma nova estratégia da água, associada à massificação das energias renováveis e à mudança de práticas e atitudes que daremos respostas eficientes e eficazes para tornar o país menos dependente das chuvas. Estamos já a produzir resultados nesse sentido”, disse.

Ulisses Correia e Silva falava no parlamento, na sessão plenária de fevereiro, com um debate sobre questões sociais e ambientais, tema proposto pela União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição).

O primeiro-ministro considerou que, sendo Cabo Verde um país onde chove pouco, deve ter soluções alternativas de mobilização de água, e referiu que a estratégia adotada pelo governo “já começa a produzir resultados”. Para rega tradicional, disse que já foram mobilizados 2.587 mil metros cúbicos de água, através de novas licenças para exploração de furos e equipando outros furos.

“Estamos a introduzir dessalinização de águas salobras, reutilização de águas residuais”, mostrou, indicando que para rega gota a gota, já foram mobilizados 7.985 mil metros cúbicos de água, superior ao volume de mobilização de todas as oito barragens construídas no país pelo anterior governo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

“Isto é que nos vai tornar menos expostos aos choques das secas. Estamos a definir soluções sustentáveis, que sejam adequadas àquilo que são as condições naturais deste país”, sustentou o político, que criticou a solução do anterior governo em apostar na construção de barragens, dizendo que muitas estão sem água.

“Nós optámos por uma estratégia de água associada às energias renováveis, para criar mais resiliência, para que, se chover, temos boas condições; se não chover, tem de ser muito bom também. É isto que queremos construir no futuro”, prosseguiu.

O primeiro-ministro disse ainda que o governo está a mobilizar recursos e a fazer “fortes parcerias” para introduzir novas tecnologias de produção na agricultura e na pecuária, após dois anos de seca severa no país, que levou o executivo a elaborar programas de mitigação do problema.

Em reação, o deputado e líder parlamentar do PAICV, Rui Semedo, disse que as barragens poderiam estar sem água porque não choveu nos últimos dois anos, mas deu conta de que há três dessas infraestruturas com água e que deve ser utilizada durante alguns meses.

Para o deputado, que foi ministro nos governos do PAICV, as barragens têm ainda a utilidade de reforçar os lençóis e criar condições para perfurações com maior caudal de água.

“A barragem tem esta utilidade, mesmo depois de dois anos de seca, temos três barragens com água e que precisa de ser utilizada”, disse Rui Semedo.

Já a deputada e líder do PAICV, Janira Hopffer Almada, afirmou que as barragens constituem apenas um pilar para uma estratégia maior de desenvolvimento do mundo rural, na mobilização de água.

Essa estratégia, prosseguiu a deputada, passava também pela dessalinização, recolha e tratamento de águas residuais, prospeção e perfuração de águas subterrâneas, utilização de energias renováveis para bombagem de água, entre outras reformas.