Islão

França. Decathlon retira hijab desportivo das suas lojas por causa de pressões e apelos ao boicote

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Marca de desporto francesa foi alvo de grandes pressões tanto nas redes sociais como vindas da política, havendo, inclusive, militantes do partido de Macron a revoltarem-se contra o produto.

A marca de desporto francesa Decathlon cancelou o plano de pôr à venda nas suas lojas em França um hijab desportivo, depois de vários políticos (incluindo um do partido do Presidente francês, Emmanuel Macron) terem apelado a um boicote.

Em sua defesa, a marca já vende em Marrocos este pano leve de usar na cabeça — que cobre o cabelo, mas não a cara — daí não ser totalmente estranho colocar o artigo à venda nas lojas gaulesas. Contudo, segundo o The Guardian, uma tempestade nas redes sociais e uma série de apelos ao boicote protagonizados por vários políticos acabaram por fazer a companhia recuar na sua vontade.

Agnès Buzyn, a ministra da Saúde de Emmanuel Macron, assumiu uma posição em relação ao sucedido: “É uma visão da mulher que eu não partilho. Preferia que uma marca francesa não promovesse o hijab.”

Aurore Bergé, partidária do centrista La République En Marche (o partido de Macron), tweetou a sua opinião sobre a polémica, afirmando que ia boicotar a  marca e acusando-a de não respeitar os valores franceses. Ela disse: “A minha escolha enquanto mulher e cidadã é de não confiar mais numa marca que desrespeita os nossos valores.”

A Decathlon, por sua vez, defendeu o seu produto afirmando que recebeu maus de 5oo chamadas e e-mails sobre o tema na passada terça-feira, tendo muitos desses contactos sido ameaças e insultos.

Esta polémica tornou-se no mais recente escândalo ligado à indumentária da mulher muçulmana em França. Em 2010, o governo de direita de Nicolas Sarkozy baniu peças de vestuário que tapassem totalmente os rostos das mulheres em França, sendo por isso acusado por grupos de direitos humanos de estigmatizar as mulheres muçulmanas.

Raparigas de escola estão proibidas desde 2004 de usar véus na escola e trabalhadores do sector público também foram impedidos de usar qualquer símbolo ou sinal exterior que remeta a qualquer tipo de crença religiosa. Têm de ser sempre vistos como neutros.

Algumas Câmaras Municipais de cidades costeiras decidiram proibir “burkinis”, os fatos de banho completos utilizados por algumas mulheres muçulmanas em 2016. Essas proibições foram rapidamente consideradas ilegais pelos mais elevados tribunais franceses, mas houve um intenso debate político sobre o principio da laicidade, algo defendido pelos gauleses há séculos. Grupos de direitos humanos foram rápidos a avisar que os políticos estavam a distorcer o princípio para ganhos eleitorais, ao fazerem dos Muçulmanos alvos depois de uma série de ataques terroristas.

Fiona Lazaar, uma deputada do partido de Macron, tweetou que era uma pena a Decathlon ter retirado o produto das suas lojas, cedendo aos pedidos de boicote, “às ameaças racistas” e “à islamofobia descarada”.

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