Jetta é o nome de um sedan compacto barato que a Volkswagen já vende no mercado chinês, com uma popularidade tal que a segunda geração é produzida desde 1991. Tirando partido do “peso” desse nome junto dos consumidores locais, o fabricante alemão optou por fazer dele a designação da sua nova marca low-cost, criada propositadamente para conquistar mais clientes na China.

À semelhança do que a General Motors fez com a Baojun, a Volkswagen pretende expandir-se no maior mercado automóvel do mundo. Para fazê-lo, precisa de uma gama de produtos mais acessíveis, que possam ser adquiridos pelos chineses com menor poder de compra. Daí que a marca aponte a um consumidor com uma idade relativamente jovem, entre os 25 e os 35 anos, comprador do seu primeiro carro – o que corresponde tão só a 81% das vendas totais, no chamado segmento de entrada.

Este tipo de cliente vai ver chegar aos concessionários locais, para já, três modelos: um sedan e dois SUV. O primeiro mais não é que o próprio Jetta chinês com alterações estéticas, ao passo que os segundos serão uma declinação “simplificada” de propostas como os Seat Ateca e Tarraco, oferecendo cinco e sete lugares.

Jürgen Stackmann quer agarrar os chineses que compram carro pela primeira vez

O facto de os Jetta serem mais baratos que os Volkswagen permitirá que a marca alemã passe a usufruir de uma imagem de maior qualidade e exclusividade. Porém, barato não é necessariamente mau, com o responsável pelas vendas da Volkswagen, Jürgen Stackmann, a garantir que a Jetta se orientará por valores-chave como qualidade, segurança, valor e uma linguagem de design clara. Atributos que levam a nova marca a posicionar-se 5.000€ a 6.000€ acima dos preços praticados pelos modelos de entrada do mercado chinês, com Stackmann a recusar por isso colar o rótulo de low-cost à Jetta. Mas a verdade é que, face aos Volkswagen, o patamar de preços vai estabelecer-se mais abaixo.

A produção resultará de uma joint-venture formada pelo fabricante chinês FAW e a Volkswagen, com a fábrica a localizar-se em Chengdu, de onde sairão anualmente 300 mil viaturas. Estima-se que, por ano, sejam produzidas 75 mil unidades do sedan e do SUV maior, enquanto o crossover de cinco lugares absorverá a restante parte da produção.

As vendas, que arrancam dentro de cerca de seis meses, far-se-ão através de uma própria rede de concessionários que, no final de 2019, deverá contar com cerca de 200 espaços próprios.