“É uma escolha, uma mensagem para o grupo. Somos um grupo, não 25 jogadores. O Caballero está pronto e é um guarda-redes com experiência, não estamos preocupados”, destacou Maurizio Sarri pouco antes da receção do Chelsea ao Tottenham. O que se passou com Kepa na final da Taça da Liga, quando se recusou sair nos últimos instantes do prolongamento, nunca poderia passar ao lado da realidade dos blues – mesmo depois de espanhol e técnico terem falado em “mal-entendido”. E houve ainda uma teoria mais alternativa, por alguém que via o que muitos nem imaginavam: para Ruud Gullit, o italiano queria mexer na baliza porque o argentino conhecia os jogadores do Manchester City e o espanhol não saiu porque pensava que a razão era a sua debilidade física. O ex-número 1 do Athl. Bilbao seria sempre assunto esta quarta-feira, como titular ou suplente.

“Eu e o Kepa falámos sobre o incidente, foi uma boa conversa. Houve esse mal-entendido mas tem consciência do que aconteceu com a sua reação e pediu desculpa a mim, aos companheiros e ao clube. Cometeu um erro grave mas temos de ser superiores a isso, não o vamos matar pelo que aconteceu”, tinha referido na véspera Sarri, recusando ainda assim adiantar se voltaria a apostar no espanhol ou se iria lançar o habitualmente suplente. Optou mesmo pela troca, deixando no banco o guarda-redes mais caro de sempre que custou a módica quantia de 80 milhões de euros (equivalente à cláusula de rescisão) – isto depois de já ter passado uma multa equivalente a uma semana de ordenados, acima dos 200 mil euros. E o certo é que, no final, a história do guarda-redes que estava pronta para ser notícia no Chelsea passou para o lado do rival Tottenham.

A entrada foi a todo o gás. Por um lado, o Chelsea foi conseguindo criar uma série de oportunidades na área contrária, com Higuaín a acertar no poste aos 6′ e Alderweireld a cortar com o braço um cruzamento do argentino que, com VAR na Premier League, podia ter valido penálti para os visitados; por outro, estancou por completo a capacidade de transição do Tottenham, que deixou Son, Lamela e Kane demasiado perdidos na frente. Mais ou menos a meio da primeira parte, tudo mudou e os spurs foram conseguindo assumir o comando do jogo, terminando mesmo com um remate na trave por Wings (44′).

Pelo meio, Caballero, o veterano de 37 anos que assistiu a toda a discussão entre Kepa e Sarri em Wembley com cara de poucos amigos (e assim ficou durante as grandes penalidades e no momento em que recebeu a medalha de vencido), teve pouco trabalho mas não falhou quando foi chamado. Em cruzamentos na zona entre guarda-redes e central, nos poucos tiros do Tottenham. Só não poderia fazer nada na tentativa de Wings mas também aí contou com a ajuda preciosa da trave. A ser verdade o alegado choque com Kepa no final da final da Taça da Liga inglesa, com foi escrito esta quarta-feira, o efeito foi diminuto ou nulo.

No segundo tempo, o Chelsea voltou a repetir a boa entrada mas com resultados práticos: numa jogada entre espanhóis onde a defesa dos spurs deixou muito a desejar, Azpilicueta assistiu Pedro Rodríguez, que fintou para dentro e rematou de pé esquerdo na área para o 1-0 (57′). O antigo avançado espanhol, que tem vindo a subir de rendimento nos últimos encontros, estava com a pilha toda e foi de novo determinante na sua área, cortando de carrinho uma iniciativa de Eriksen quando o dinamarquês já tinha feito a finta para dentro e se preparava para visar a baliza de Caballero (63′). Mesmo em desvantagem, o Tottenham nunca foi verdadeiramente ameaçador e o pior estava ainda para vir: a seis minutos do fim, uma descoordenação básica entre guarda-redes e defesa levou a que Trippier fizesse um autogolo caricato a Lloris para o 2-0 final.