A primeira vez que se ouviu falar do “Momo Challenge” foi há cerca de seis meses, durante o verão de 2018. Desde aí, várias foram as notícias sobre o desafio que levava a que jovens se magoassem a si próprios até ao suicídio. Escolas e autoridades utilizaram as redes sociais para alertar para os perigos, mas sobretudo para a presença online destes jovens e para a falta de noção dos riscos, nomeadamente disponibilizar informações pessoais a possíveis hackers por detrás do jogo.

Afinal, apesar do pânico gerado, tudo não passará de “fake news”. Especialistas e instituições como a National Society for the Prevention of Cruelty to Children (NSPCC) deixaram o alerta: este desafio é apenas um caso de “pânico moral” espalhado por adultos e com cobertura jonalística, como nota Jim Waterson, editor do The Guardian. A NSPCC acrescenta que a “histeria trazida pelos média pode agora colocar as pessoas mais vulneráveis ao encorajá-las a pensar em auto-mutilação” e que recebeu mais chamadas de jornalistas para confirmar a informação do que de pais preocupados.

Sobre o assunto também Kat Tremlett, gestora de conteúdo prejudicial do UK Safer Internet Center, no Reino Unido, afirmou que “mesmo que seja feito com as melhores intenções, divulgar essa questão apenas despertou a curiosidade nos jovens”. O Youtube e a Google também reagiram às notícias. Procurando amenizar o pânico e defendendo-se das alegações em relação aos vídeos que incluíam partes do desafio, garantiu que não passam de rumores e que a plataforma não teve acesso a nenhuma evidência nos vídeos que mostrasse ou promovesse o “Momo Challenge”.

A figura de “Momo”, que provém de uma obra de arte de uma exposição japonesa de horror, circula na internet há vários anos. Foi então que no verão passado surgiu associada a estas alegações não confirmadas de jovens a participar no “Momo Challenge”, que se baseava na auto-mutilação através dos desafios lançados por mensagens no WhatsApp.